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Wednesday, 31 December 2014

União Europeia: conquistas democráticas e sociais radicalmente postas em causa

por Eric Toussaint, CADTM, 29-12-2014
Traduzido por Rui Viana Pereira e revisado por Maria da Liberdade
O falhanço dos governos europeus, da Comissão Europeia e do BCE é evidente no que diz respeito à concretização das metas que pretendiam alcançar: reduzir o desemprego, relançar a actividade económica, sanear fundamentalmente os bancos, estimular e aumentar o crédito às famílias e às pequenas e médias empresas, aumentar o investimento, reduzir a dívida pública. Em todos estes pontos a política europeia é um flagrante fiasco. Mas será que os dirigentes europeus querem mesmo alcançar estes objectivos?
Os grandes meios de comunicação evocam regularmente os perigos de um possível estilhaçar da zona euro, do falhanço das políticas de austeridade em matéria de recuperação económica, das tensões entre Berlim e Paris ou Roma, ou entre Londres e os membros da zona euro, das contradições no seio do Banco Central Europeu (BCE), das enormes dificuldades para chegar a acordo sobre o orçamento da UE, das crispações de alguns governos europeus em relação ao FMI a propósito da dosagem da austeridade. Estas tensões são reais, mas não devem esconder o essencial.
Os dirigentes europeus dos países mais fortes e os patrões das grandes empresas estão felizes com a existência de uma zona económica, comercial e política comum, onde as empresas transnacionais europeias e as economias do Centro da zona euro se aproveitam do descalabro da Periferia, para reforçarem os lucros das empresas e marcar pontos na competição com os seus concorrentes norte-americanos e chineses. O seu objectivo, no estado actual da crise, não é o de relançar o crescimento e reduzir as assimetrias entre as economias fortes e fracas da UE.
Os dirigentes europeus esperam por outro lado que o descalabro do Sul se traduzirá em oportunidades para privatizar massivamente as empresas e os bens públicos a preço de saldo. Contam para isso com a intervenção da Troika (BCE, FMI, Comissão Europeia) e a cumplicidade activa dos governos da Periferia. As classes dominantes dos países da Periferia são favoráveis a estas políticas, pois elas próprias esperam deitar a mão a uma fatia do bolo que ambicionavam há anos. As privatizações na Grécia e em Portugal prefiguram o que irá acontecer em Espanha e na Itália, onde os bens públicos a adquirir são bastante mais valiosos, atendendo às dimensões destas duas economias. Os dirigentes das economias europeias mais fortes contam também realizar uma nova vaga de privatizações nos seus próprios países.

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