Perle du jour

Les USA ont occupé le Groenland pendant la Deuxième guerre mondiale et ont contribué au développement du pays au cours de la décennie qui a suivi. « En fait, nous les avons amenés à vivre dans des conditions plus modernes que l'âge de pierre dans lequel ils vivaient à cause de l'oppression par le Danemark ».

Carla Sands, ambassadrice des USA au  Danemark de 2017 à 2021, Newsmax, 28/3/2025


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31/03/2025

MAURIZIO LAZZARATO
Armar-se para salvar o capitalismo financeiro!
A lição de Rosa Luxemburg, Kalecki, Baran e Sweezy

Maurizio Lazzarato, 26/3/2025
Charges de Enrico Bertuccioli
Traduzido por Tlaxcala, editado por Helga Heidrich

Maurizio Lazzarato (1955), exilado na França após a repressão desencadeada em 7 de abril de 1979 contra o movimento Autonomia Operária Organizada, do qual foi ativista na Universidade de Pádua, é um sociólogo e filósofo independente italiano que vive em Paris. É autor de vários livros e artigos sobre trabalho imaterial, capitalismo cognitivo, biopolítica e bioeconomia, dívida, guerra e o que ele chama de máquina capital-estado. Livros em português

"Por maior que seja uma nação, se ela amar a guerra, ela perecerá; por mais pacífico que seja o mundo, se ele se esquecer da guerra, estará em perigo."

                           "Wu Zi", antigo tratado militar chinês

"Quando dizemos sistema de guerra, queremos dizer um sistema como o que está em vigor, que assume a guerra, mesmo que apenas planejada e não combatida, como o fundamento e o ápice da ordem política, ou seja, da relação entre os povos e entre os homens. Um sistema em que a guerra não é um evento, mas uma instituição, não uma crise, mas uma função, não uma ruptura, mas uma pedra angular do sistema, uma guerra sempre depreciada e exorcizada, mas nunca abandonada como uma possibilidade real".

                                             Claudio Napoleoni, 1986


O advento de Trump é apocalíptico, no sentido original da palavra apocalipse, revelação. Sua agitação convulsiva tem o grande mérito de mostrar a natureza do capitalismo, a relação entre guerra, política e lucro, entre o capital e o Estado, geralmente encoberta pela democracia, pelos direitos humanos, pelos valores e pela missão da civilização ocidental. 

A mesma hipocrisia está no centro da narrativa construída para legitimar os 800 bilhões de euros para rearmamento que a UE está impondo por meio do uso do estado de exceção aos estados-membros. Armar-se não significa, como diz Draghi, defender "os valores que fundaram nossa sociedade europeia" e que "garantiram por décadas a paz, a solidariedade e, com nosso aliado americano, a segurança, a soberania e a independência de seus cidadãos", mas significa salvar o capitalismo financeiro.

Não há nem mesmo necessidade de grandes discursos e análises documentadas para mascarar a escassez dessas narrativas. Foi preciso apenas outro massacre de 400 civis palestinos para trazer à tona a verdade sobre a conversa indecente sobre a singularidade e a supremacia moral e cultural do Ocidente.

Trump não é um pacifista, ele apenas reconhece a derrota estratégica da OTAN na guerra da Ucrânia, enquanto as elites europeias rejeitam as evidências. Para elas, a paz significaria voltar ao estado catastrófico ao qual reduziram suas nações. A guerra deve continuar porque para eles, assim como para os democratas e o estado profundo dos EUA, é o meio de sair da crise que começou em 2008, como foi o caso da grande crise de 1929. Trump acha que pode resolvê-la priorizando a economia sem negar a violência, a chantagem, a intimidação e a guerra. É muito provável que nenhum dos dois tenha sucesso porque eles têm um problema enorme: o capitalismo, em sua forma financeira, está em crise profunda e é precisamente de seu centro, os EUA, que estão chegando sinais "dramáticos" para as elites que nos governam. Em vez de convergir para os EUA, o capital está fugindo para a Europa. Ótima notícia, um sintoma de grandes rupturas imprevisíveis que correm o risco de serem catastróficas

O capital financeiro não produz bens, mas bolhas que incham nos EUA e estouram em detrimento do resto do mundo, provando ser armas de destruição em massa. As finanças americanas sugam o valor (capital) de todo o mundo, investem-no em uma bolha que, mais cedo ou mais tarde, vai estourar, forçando os povos do planeta à austeridade, ao sacrifício para pagar por seus fracassos: primeiro a bolha da Internet, depois a bolha dos subprimes que causou uma das maiores crises financeiras da história do capitalismo, abrindo a porta para a guerra. Eles também tentaram a bolha do capitalismo verde que nunca decolou e, finalmente, a bolha incomparavelmente maior das empresas de alta tecnologia. A fim de tapar os buracos dos desastres da dívida privada descarregada sobre as dívidas públicas, o Federal Reserve e o banco europeu inundaram os mercados com liquidez que, em vez de "pingar" na economia real, serviu para alimentar a bolha da alta tecnologia e o desenvolvimento de fundos de investimento, conhecidos como os "Três Grandes", Vanguard, BlackRock e State Street (o maior monopólio da história do capitalismo, administrando US$ 50 trilhões, principal acionista de todas as empresas listadas mais importantes). Agora, até mesmo essa bolha está se esvaziando.

Se você dividir toda a capitalização da lista da Bolsa de Valores de Wall Street por dois, ainda estaremos muito longe do valor real das empresas de alta tecnologia, cujas ações foram infladas pelos próprios fundos para manter os dividendos altos para seus "poupadores" (os democratas também estavam contando com a substituição do bem-estar social por financiamento para todos, assim como haviam se iludido anteriormente sobre a moradia para todos os americanos).

Agora a farra está chegando ao fim. A bolha atingiu seu limite e os valores estão caindo com um risco real de colapso. Se acrescentarmos a isso a incerteza que as políticas de Trump, representante de uma finança que não é a dos fundos de investimento, introduzem em um sistema que este último conseguiu estabilizar com a ajuda dos democratas, entenderemos os temores dos "mercados". O capitalismo ocidental precisa de outra bolha porque não conhece nada além da reprodução do mesmo de sempre (a tentativa trumpiana de reconstruir a manufatura nos EUA está destinada a um fracasso certo). 


A identidade perfeita de "produção" e destruição

A Europa, que já gasta 386 bilhões de euros [UE: 326 bilhões; Reino Unido: 60 bilhões] em armamentos, ou seja, 2,64 vezes mais do que a Rússia [146 bilhões] (a OTAN é responsável por 55% dos gastos mundiais com armas e a Rússia, por 5%), decidiu fazer um grande plano de investimento de 800 bilhões de euros para aumentar ainda mais os gastos militares.

A guerra e a Europa, onde as redes políticas e econômicas ainda estão ativas, centros de poder que se referem à estratégia representada por Biden, que foi derrotado na última eleição presidencial, são a oportunidade de construir uma bolha baseada em armamentos para compensar as dificuldades crescentes dos "mercados" dos EUA. Desde dezembro, as ações das empresas de armamentos já são objeto de especulação, subindo de um lado para o outro e atuando como um porto seguro para o capital que vê a situação dos EUA como muito arriscada. No centro da operação estão os fundos de investimento, que também estão entre os maiores acionistas das principais empresas de armamentos. Eles detêm participações significativas na Boeing, Lockheed Martin e RTX, influenciando a administração e as estratégias dessas empresas. Na Europa, eles também estão presentes no complexo militar-industrial: a Rheinmetall, empresa alemã que produz Leopard e viu o preço de suas ações subir 100% nos últimos meses, tem como principais acionistas a Blackrock, Société Générale, Vanguard, etc. A Rheinmetall, a maior fabricante de munições da Europa, ultrapassou a maior montadora de automóveis do continente, a Volkswagen, em termos de capitalização, o mais recente sinal do crescente apetite dos investidores por ações relacionadas à defesa.

A União Europeia quer coletar e canalizar a poupança continental para armamentos, com consequências catastróficas para o proletariado e uma maior divisão da União. A corrida armamentista não poderá funcionar como "keynesianismo de guerra" porque o investimento em armas intervém em uma economia financeirizada e não mais industrial. Construído com dinheiro público, ele beneficiará uma pequena minoria de indivíduos privados, enquanto piora as condições da grande maioria da população.

A bolha armamentista só pode produzir os mesmos efeitos que a bolha de alta tecnologia dos EUA. Depois de 2008, as somas de dinheiro capturadas para investimento na bolha de alta tecnologia nunca "escorreram" para o proletariado dos EUA. Em vez disso, elas produziram uma desindustrialização cada vez maior, empregos precários e sem qualificação, baixos salários, pobreza desenfreada, a destruição do pouco bem-estar social herdado do New Deal e a subsequente privatização de todos os serviços. Isso é o que a bolha financeira europeia, sem dúvida, produzirá na Europa. A financeirização levará não apenas à destruição completa do estado de bem-estar social e à privatização total dos serviços, mas também à fragmentação política do que resta da União Europeia. As dívidas, contraídas por cada estado separadamente, terão de ser pagas e haverá enormes diferenças entre os estados europeus quanto à sua capacidade onerar os débitos contratados. 

O perigo real não são os russos, mas os alemães com seus 500 bilhões para rearmamento e outros 500 bilhões para infraestrutura, que foi um financiamento decisivo para a construção da bolha. Da última vez que eles se rearmaram, combinaram desastres mundiais (25 milhões de mortos somente na Rússia Soviética, a solução final etc.), daí a famosa declaração de Andreotti contra a unificação alemã: "Amo tanto a Alemanha que prefiro duas". À espera dos novos desenvolvimentos do nacionalismo e da extrema direita, já com 21%, que o "Deutschland ist zurück" inevitavelmente produzirá, a Alemanha imporá sua habitual hegemonia imperialista sobre os outros países europeus. Os alemães abandonaram rapidamente o credo ordo-liberal que não tinha base econômica, apenas política, e abraçaram a financeirização anglo-americana até o fim, mas com o mesmo objetivo: governar e explorar a Europa. O Financial Times fala de uma decisão tomada por Merz, homem da Blackrock, e Kukies, ministro do tesouro da Goldman Sachs, com o endosso dos partidos de "esquerda" SPD e Die Linke, que, como seus antecessores em 1914, estão mais uma vez assumindo a responsabilidade pela carnificina futura.

Se o imperialismo doméstico alemão anterior se baseava na austeridade, no mercantilismo das exportações, no congelamento de salários e na destruição do estado de bem-estar social, este se baseará no gerenciamento de uma economia de guerra europeia hierarquizada nos diferenciais de taxas de juros a serem pagos para quitar a dívida contraída.

Os países já altamente endividados (Itália, França, etc.) terão que encontrar quem comprará seus títulos emitidos para pagar a dívida, em um "mercado" europeu cada vez mais competitivo. Será melhor para os investidores comprarem títulos alemães, títulos emitidos por empresas de armamentos com especulação em alta e títulos da dívida pública europeia, que certamente são mais seguros e mais lucrativos do que os títulos de países superendividados. O famoso "spread" ainda desempenhará seu papel como em 2011. Os bilhões necessários para pagar os mercados não ficarão disponíveis para os estados de bem-estar social. O objetivo estratégico de todos os governos e oligarquias nos últimos cinquenta anos, a destruição dos gastos sociais para a reprodução do proletariado e sua privatização, será alcançado.

27 egoísmos nacionais lutarão entre si sem nada em jogo, porque a história, que "somos os únicos que sabemos o que realmente é", nos colocou em um canto, inútil e irrelevante após séculos de colonialismo, guerras e genocídios. 

A corrida armamentista é acompanhada por uma justificativa martelante de "estamos em guerra" contra todos (Rússia, China, Coreia do Norte, Irã, Brics) que não pode ser abandonada e que corre o risco de se concretizar porque essa quantidade delirante de armas ainda precisa "ser consumida". 

A lição de Rosa Luxemburgo, Kalecki, Baran e Sweezy

Somente os desinformados podem se surpreender com o que está acontecendo. Tudo está se repetindo, só que está acontecendo em um capitalismo financeiro e não mais em um capitalismo industrial como no século XX.

A guerra e os armamentos têm estado no centro da economia e da política desde que o capitalismo se tornou imperialista. Eles também estão no centro do processo de reprodução do capital e do proletariado, em uma competição feroz entre si.  Vamos reconstruir rapidamente a estrutura teórica fornecida por Rosa Luxemburgo, Kalecki, Baran e Sweezy, firmemente plantada, em contraste com as inúteis teorias críticas contemporâneas, nas categorias de imperialismo, monopólio e guerra, o que nos oferece um espelho da situação contemporânea.

Comecemos pela crise de 1929, que teve suas raízes na Primeira Guerra Mundial e na tentativa de sair dela ativando os gastos públicos por meio da intervenção estatal. De acordo com Baran e Sweezy (doravante B&S), a desvantagem dos gastos do governo na década de 1930 era seu volume, incapaz de neutralizar as forças depressivas da economia privada. 

"Visto como uma operação de resgate para a economia dos EUA como um todo, o New Deal foi, portanto, um fracasso flagrante. Até mesmo Galbraith, o profeta da prosperidade sem ordens de guerra, reconheceu que, na década de 1930 a 1940, 'a grande crise' nunca terminou".

Foi somente com a Segunda Guerra Mundial que isso chegou ao fim: "Então veio a guerra, e com a guerra veio a salvação (...) os gastos militares fizeram o que os gastos sociais não conseguiram fazer", porque os gastos do governo aumentaram de US$ 17,5 bilhões para US$ 103,1 bilhões.

B&S mostram que os gastos do governo não trouxeram os resultados que os gastos militares trouxeram porque foram limitados por um problema político que ainda é nosso. Por que o New Deal e seus gastos não conseguiram atingir uma meta que "estava ao alcance, como a guerra provou mais tarde"? Porque a natureza e a composição dos gastos públicos, ou seja, a reprodução do sistema e do proletariado, desencadeiam a luta de classes. 

"Dada a estrutura de poder do capitalismo monopolista dos EUA, o aumento dos gastos civis quase atingiu seus limites extremos. As forças que se opunham a uma expansão maior eram poderosas demais para serem superadas". 

Os gastos sociais competiam com as corporações e oligarquias ou as prejudicavam, tirando-lhes o poder econômico e político. "Como os interesses privados controlam o poder político, os limites dos gastos públicos são rigidamente estabelecidos sem qualquer preocupação com as necessidades sociais, por mais vergonhosas que sejam". E esses limites também se aplicavam aos gastos, à saúde e à educação, que na época, ao contrário de hoje, não estavam competindo diretamente com os interesses privados das oligarquias. 

A corrida armamentista permite o aumento dos gastos públicos do Estado, sem que isso se transforme em aumento dos salários e do consumo do proletariado. Como o dinheiro público pode ser gasto para evitar a depressão econômica que o monopólio traz e, ao mesmo tempo, evitar o fortalecimento do proletariado? "Com armamentos, com mais armamentos, com mais e mais armamentos".

Michael Kalecki, trabalhando no mesmo período, mas na Alemanha nazista, consegue elucidar outros aspectos do problema. Contra todo o economicismo, que sempre ameaça a compreensão do capitalismo por meio de teorias críticas, até mesmo marxistas, ele enfatiza a natureza política do ciclo do capital:   "A disciplina nas fábricas e a estabilidade política são mais importantes para os capitalistas do que os lucros atuais".

O ciclo político do capital, que agora só pode ser garantido pela intervenção do Estado, precisa recorrer aos gastos com armas e ao fascismo. Para Kalecki, o problema político também se manifesta na "direção e nos propósitos dos gastos públicos". A aversão ao "subsídio ao consumo de massa" é motivada pela destruição que ele causa "dos fundamentos da ética capitalista 'você ganhará seu pão com o suor do seu rosto' (a menos que viva da renda do capital)".

Como garantir que os gastos do Estado não se transformem em aumento de emprego, consumo e salários e, portanto, na força política do proletariado? O inconveniente para as oligarquias é superado com o fascismo, porque a máquina do Estado fica sob o controle do grande capital e da liderança fascista, com "a concentração dos gastos do Estado em armamentos", enquanto "a disciplina da fábrica e a estabilidade política são asseguradas pela dissolução dos sindicatos e dos campos de concentração. A pressão política substitui a pressão econômica do desemprego".

Daí o imenso sucesso dos nazistas com a maioria dos liberais britânicos e americanos.

A guerra e os gastos com armas são fundamentais para a política americana, mesmo após o fim da Segunda Guerra Mundial, porque uma estrutura política sem uma força armada, ou seja, sem o monopólio de seu exercício, é inconcebível. O volume do aparato militar de uma nação depende de sua posição na hierarquia mundial de exploração. "As nações mais importantes sempre precisarão de mais, e a extensão de suas necessidades (de força armada) variará de acordo com o fato de haver ou não uma luta acirrada pelo primeiro lugar entre elas". 

 Os gastos militares, portanto, continuaram a crescer no centro do imperialismo: "É claro que a maior parte da expansão dos gastos do governo ocorreu no setor militar, que subiu de menos de 1% para mais de 10% do PNB, e que foi responsável por cerca de dois terços do aumento total dos gastos do governo desde 1920. Essa absorção maciça do excedente em preparações limitadas tem sido o fato central da história americana do pós-guerra". 

Kalecki ressalta que, em 1966, "mais da metade do crescimento da renda nacional é resolvido pelo crescimento das despesas militares".

Agora, após a guerra, o capitalismo não podia mais contar com o fascismo para controlar os gastos sociais. O economista polonês, um "aluno" de Rosa Luxemburgo, ressalta: "Uma das funções fundamentais do hitlerismo era superar a aversão do grande capital à política anticapitalista de larga escala. A grande burguesia havia concordado com o abandono do laisser-faire e com o aumento radical do papel do Estado na economia nacional, com a condição de que o aparato estatal estivesse sob controle direto de sua aliança com a liderança fascista e que o destino e o conteúdo dos gastos públicos fossem determinados pelos armamentos. Nos Glorious Thirties, sem o fascismo garantindo a direção dos gastos públicos, os estados e os capitalistas foram forçados a um compromisso político. As relações de poder determinadas pelo século de revoluções forçam o Estado e os capitalistas a fazer concessões que, de qualquer forma, são compatíveis com lucros que atingem taxas de crescimento até então desconhecidas. Mas mesmo esse compromisso é demais porque, apesar dos grandes lucros, "os trabalhadores se tornam 'recalcitrantes' em tal situação e os 'capitães da indústria' ficam ansiosos para 'dar-lhes uma lição'".

A contrarrevolução, que se desenvolveu a partir do final da década de 1960, teve como centro a destruição dos gastos sociais e o desejo feroz de direcionar os gastos públicos para os interesses únicos e exclusivos das oligarquias. O problema, desde a República de Weimar, nunca foi uma intervenção genérica do Estado na economia, mas o fato de o Estado ter sido investido pela luta de classes e ter sido forçado a ceder às demandas das lutas dos trabalhadores e do proletariado.

Nos tempos "pacíficos" da Guerra Fria, sem a ajuda do fascismo, a explosão dos gastos militares precisa de legitimação, garantida pela propaganda capaz de evocar continuamente a ameaça de uma guerra iminente, de um inimigo às portas pronto para destruir os valores ocidentais: "Os criadores não oficiais e oficiais da opinião pública têm a resposta pronta: os Estados Unidos devem defender o mundo livre da ameaça de agressão soviética (ou chinesa)".

Kalecki, para o mesmo período, especifica: "Jornais, cinema, estações de rádio e televisão que trabalham sob a égide da classe dominante criam uma atmosfera que favorece a militarização da economia".

Os gastos com armamentos não têm apenas uma função econômica, mas também uma função de produzir subjetividades subjugadas. A guerra, ao exaltar a subordinação e o comando, "contribui para a criação de uma mentalidade conservadora".

"Enquanto os gastos públicos maciços com educação e bem-estar tendem a minar a posição privilegiada da oligarquia, os gastos militares fazem o oposto. A militarização favorece todas as forças reacionárias (...) um respeito cego pela autoridade é determinado; uma conduta de conformidade e submissão é ensinada e imposta; e a opinião contrária é considerada antipatriótica ou até mesmo traidora."

O capitalismo produz um capitalista que, precisamente por causa da forma política de seu ciclo, é um semeador de morte e destruição, em vez de um promotor do progresso. Richard B. Russell, um senador conservador do sul dos EUA na década de 1960, citado pela B&S, nos diz: "Há algo nos preparativos para a destruição que induz os homens a gastar dinheiro de forma mais descuidada do que se fosse para fins construtivos. Não sei por que isso acontece, mas durante os cerca de trinta anos em que estive no Senado, percebi que, ao comprar armas para matar, destruir, varrer cidades da face da Terra e eliminar grandes sistemas de transporte, há algo que faz com que os homens não calculem os gastos com o mesmo cuidado que têm quando se trata de pensar em moradia decente e assistência médica para os seres humanos.

A reprodução do capital e do proletariado tornou-se politizada por meio das revoluções do século XX. A luta de classes também gerou uma oposição radical entre a reprodução da vida e a reprodução de sua destruição, que só se aprofundou a partir da década de 1930.


Como funciona o capitalismo

A guerra e os armamentos, praticamente excluídos de todas as teorias críticas do capitalismo, funcionam como discriminadores na análise do capital e do Estado.

É muito difícil definir o capitalismo como um "modo de produção", como fez Marx, porque a economia, a guerra, a política, o Estado e a tecnologia são elementos intimamente interligados e inseparáveis. A "crítica da economia" não é suficiente para produzir uma teoria revolucionária. Já com o advento do imperialismo, produziu-se uma mudança radical no funcionamento do capitalismo e do Estado, o que ficou muito claro com Rosa Luxemburgo, para quem a acumulação tem duas expectativas. O primeiro "diz respeito à produção de mais-valia - na fábrica, na mina, na exploração agrícola - e à circulação de mercadorias no mercado. Visto desse ponto de vista, a acumulação é um processo econômico cuja fase mais importante é uma transação entre o capitalista e o assalariado". O segundo aspecto tem o mundo inteiro como seu teatro, uma dimensão mundial irredutível ao conceito de "mercado" e suas leis econômicas. "Aqui os métodos empregados são a política colonial, o sistema internacional de empréstimos, a política das esferas de interesse, a guerra. A violência, o engano, a opressão, a predação se desenvolvem abertamente, sem máscara, e é difícil reconhecer as leis estritas do processo econômico no entrelaçamento da violência econômica e da brutalidade política".

A guerra não é uma continuação da política, mas sempre coexistiu com ela, como mostra o funcionamento do mercado mundial. Aqui, onde a guerra, a fraude e a predação coexistem com a economia, a lei do valor nunca funcionou de fato. O mercado mundial parece muito diferente daquele esboçado por Marx. Suas considerações parecem não se aplicar mais, ou melhor, precisam ser especificadas: somente no mercado mundial o dinheiro e o trabalho se tornariam adequados ao seu conceito, concretizando sua abstração e universalidade. Pelo contrário, o que podemos ver é que o dinheiro, a forma mais abstrata e universal de capital, é sempre a moeda de um Estado. O dólar é a moeda dos Estados Unidos e reina somente como tal. A abstração do dinheiro e sua universalidade (e seus automatismos) são apropriados por uma "força subjetiva" e são gerenciados de acordo com uma estratégia que não está contida no dinheiro.  

Até mesmo as finanças, assim como a tecnologia, parecem ser objeto de apropriação por forças subjetivas "nacionais", muito pouco universais.  No mercado mundial, mesmo o trabalho abstrato não triunfa como tal, mas, em vez disso, encontra outro trabalho radicalmente diferente (trabalho servil, trabalho escravo etc.) e é objeto de estratégias.

A ação de Trump, ao deixar cair o véu hipócrita do capitalismo democrático, nos revela o segredo da economia: ela só pode funcionar a partir de uma divisão internacional de produção e reprodução que é politicamente definida e imposta, ou seja, por meio do uso da força, o que também implica guerra. 

A vontade de explorar e dominar, gerenciando relações políticas, econômicas e militares simultaneamente, constrói uma totalidade que nunca pode se fechar em si mesma, mas sempre permanece aberta, dividida por conflitos, guerras e predações. Nessa totalidade dividida, todas as relações de poder convergem e governam a si mesmas. Trump intervém no uso das palavras, mas também nas teorias de gênero, ao mesmo tempo em que gostaria de impor um novo posicionamento global, tanto político quanto econômico, dos EUA. Do micro ao macro, uma ação política na qual os movimentos contemporâneos estão longe de sequer pensar.

A construção da bolha financeira, um processo que podemos acompanhar passo a passo, ocorre da mesma forma. Há muitos atores envolvidos em sua produção: a União Europeia, os Estados que precisam se endividar, o Banco Europeu de Investimento, os partidos políticos, a mídia e a opinião pública, os grandes fundos de investimento (todos dos Estados Unidos) que organizam o transporte de capital de uma bolsa de valores para outra e as grandes empresas. Somente depois que o choque/cooperação entre esses centros de poder der seu veredicto é que a bolha econômica e seus automatismos poderão funcionar. Há toda uma ideologia sobre o funcionamento automático que deve ser desmascarada. O "piloto automático", especialmente em nível financeiro, existe e funciona somente depois de ter sido politicamente estabelecido. Ele não existia na década de 1930 porque foi decidido politicamente; ele está funcionando desde o final da década de 1970, por vontade política explícita.

Essa multiplicidade de atores que vêm se agitando há meses é mantida unida por uma estratégia. Portanto, há um elemento subjetivo que intervém de maneira fundamental. Na verdade, dois. Do ponto de vista capitalista, há uma luta feroz entre o "fator subjetivo" Trump e o "fator subjetivo" das elites que foram derrotadas nas eleições presidenciais, mas que ainda têm forte presença nos centros de poder nos EUA e na Europa. 

Mas para que o capitalismo funcione, devemos considerar também um fator proletário subjetivo. Ele desempenha um papel decisivo porque ou se tornará o portador passivo do novo processo de produção/reprodução de capital ou tenderá a rejeitá-lo e destruí-lo. Dada a incapacidade do proletariado contemporâneo, o mais fraco, o mais desorientado, o menos autônomo e independente da história do capitalismo, a primeira opção parece ser a mais provável. Mas se ele não conseguir opor sua própria estratégia às contínuas inovações estratégicas do inimigo, capazes de se renovar continuamente, cairemos em uma assimetria de relações de poder que nos levará de volta ao período anterior à revolução francesa, a um novo/já visto "ancien régime".

28/03/2025

MAURIZIO LAZZARATO
Arming to save financial capitalism!
The lessons of Rosa Luxemburg, Kalecki, Baran and Sweezy

Cartoons by  Enrico Bertuccioli
Translated by  Tlaxcala, edited by John Catalinotto

Maurizio Lazzarato (1955), exiled in France following the crackdown on April 7, 1979 on the Organized Worker Autonomy movement, in which he was an activist at the University of Padua, is an Italian independent sociologist and philosopher living in Paris. He is author of numerous books and articles on immaterial labor, cognitive capitalism, biopolitics and the bioeconomy, debt, war and what he calls the Capital-State machine.

"However great a nation is, if it loves war it will perish; however peaceful the world is, if it forgets war it will be in danger."

from Wu Zi, ancient Chinese military treaty

"When we say system of war we mean a system such as the one in force that assumes war even if only planned and not fought as the foundation and culmination of the political order, that is, of the relationship between peoples and between men. A system where war is not an event but an institution, not a crisis but a function, not a rupture but a cornerstone of the system, a war always deprecated and exorcised but never abandoned as a real possibility."

Claudio Napoleoni, 1986


Donald Trump’s advent is apocalyptic, in the original meaning of the world apocalypse, revelation. His convulsive flailing has the great merit of demonstrating the true nature of capitalism, the relationship between war, politics and profit, between capital and the state usually hidden under the fig leaf of democracy, human rights, values and the mission of Western civilization. 

The same hypocrisy is at the heart of the narrative constructed to legitimize the 840 billion euros for rearmament that the EU has imposed on member states using the state of exception. Arming does not mean, as Draghi says, defending "the values that founded our European society" and have "guaranteed for decades, to its citizens peace, solidarity and with the American ally, security, sovereignty and independence," but it means saving financial capitalism.

There is not even any need for grand speeches and documented analysis to mask the paucity of these narratives. It only took another massacre of 400 Palestinian civilians to bring out the truth of the indecent chatter about the uniqueness and moral and cultural supremacy of the West.

Trump is no pacifist; he merely acknowledges NATO's strategic defeat in the Ukraine war, while European elites reject the evidence. Peace for them would mean returning to the catastrophic state to which they have reduced their nations. The war must continue because for them, as for the Democrats and the U.S. deep state, it is the means to get out of the crisis that began in 2008, as happened once before with the Great Crisis of 1929. Trump thinks he can solve it by prioritizing the economy without disavowing violence, blackmail, intimidation, and war. It is very likely that neither of them will succeed because they have a huge problem: Capitalism, in its financial form, is in deep crisis and it is precisely from its center, the U.S., that “dramatic” signals are coming for the elites who govern us. Instead of converging to the U.S., capital is fleeing to Europe. This is big news, a symptom of great unpredictable ruptures that threaten to be catastrophic.

Instead of producing commodities, finance capital blows bubbles that all inflate in the U.S. and all burst to the detriment of the rest of the world, proving to be weapons of mass destruction. U.S. finance sucks value (capital) from all over the world, invests it in a bubble, which sooner or later bursts, forcing the peoples of the planet into austerity, their sacrifices paying for its failures: First the internet bubble, then the subprime bubble that caused one of the biggest financial crises in the history of capitalism, opened the door to war. They also attempted the green capitalism bubble that never got off the ground and finally the incomparably larger bubble of high-tech companies. To plug the flaws of the private debt disasters dumped on public debts, the Federal Reserve and the European bank flooded the markets with liquidity that instead of 'dripping' into the real economy, served to fuel the high -tech bubble and the development of investment funds known as the "Big Three" -- Vanguard, BlackRock and State Street -- (the largest monopoly in the history of capitalism, managing $50 trillion, major shareholder in all major publicly traded companies). Now even this bubble is deflating.

If you divide the entire capitalization of the Wall Street Stock Exchange list by two we are still a long way from the real value of High tech companies, whose stocks have been inflated by the very funds to keep dividends high for their "rescuers" (the Democrats were also counting on replacing welfare with finance for all, as they had previously raved about housing for all people in the U.S.).

Now the party is over. The bubble has reached its limit and values are falling leaving a real risk of collapse. If we add to this the uncertainty that the policies of Trump, representing a form of finance that is not that of investment funds, are introducing into a system that the investment funds had managed to stabilize with the help of the Democrats, we can understand the fears of the “markets”. Western capitalism needs another bubble because it knows only how to reproduce the same thing over and over (the Trumpian attempt to rebuild manufacturing in the U.S. is doomed to certain failure). 


The perfect identity of "production" and destruction

Europe, which already spends more than twice what Russia spends on arms [$420 billion vs. 158] (NATO accounts for 55 percent of the world's arms spending, Russia 5 percent) has decided on a major investment plan of 800 billion euros to further increase military spending.

The war and Europe where political and economic networks are still active, and power centers that align with the strategy represented by Biden, which was defeated in the last presidential election, have the opportunity to build a bubble based on armaments that compensates for the growing difficulties of the U.S. "markets." Since December, stocks of arms companies have already been the subject of speculation, going from rise to rise and functioning as a safe haven for capital that sees the U.S. situation as too risky. At the center of the operation are investment funds that are also among the largest shareholders in major arms companies. They hold significant stakes in Boeing, Lockheed Martin and RTX, influencing the management and strategies of these companies. They also have a presence in the military-industrial complex in Europe: Rheinmetall, a German company that manufactures Leopards [tanks] and has seen its stock rise 100 percent in recent months, has Blackrock, Société Générale, Vanguard, etc. as major shareholders. Rheinmetall, Europe's largest munitions manufacturer, has surpassed the continent's leading automaker, Volkswagen, in terms of capitalization, the latest sign of investors' growing appetite for defense-related stocks.

The European Union wants to collect and channel continental savings into armaments with catastrophic consequences for the proletariat and a further division of the Union. The arms race will not be able to function as "war keynesianism" because investment in arms intervenes in a financialized economy that is no longer industrial. Built with public money it will generate profits for  a small minority of private investors while worsening conditions for the vast majority of the population.

The arms bubble can only produce the same effects as the U.S. bubble of high-tech enterprises. After 2008, the sums of money captured for investment in the high-tech bubble never 'trickled' down to the U.S. proletariat. Instead, they have produced ever-increasing de-industrialization, de-skilled and precarious jobs, low wages, rampant poverty, the destruction of the little Welfare inherited from the New Deal and the subsequent privatization of all services. This is what the European financial bubble will undoubtedly produce in Europe. Financialization will lead not only to the complete destruction of the Welfare State and the outright privatization of services, but to the further political fragmentation of what remains of the European Union. The debts, incurred by each state separately, will have to be repaid, and huge differences will be produced among European states in their ability to repay the debts they have incurred. 

The real danger is not the Russians, but the Germans with their 500 billion rearmament and another 500 billion for infrastructure, crucial financing in building the bubble. The last time Germany rearmed it wreaked global disasters (25 million dead in the Soviet Union alone, the final solution, etc.), hence François Mauriac's famous statement against German unification "I love Germany so much that I’m happy there are two of them." Waiting for the further developments of nationalism and the already 21% far-right that "Deutschland ist zurück" [Germany is back] will inevitably produce, Germany will impose its usual imperialist hegemony on other European countries. The Germans have quickly abandoned the ordo-liberal creed that had no economic foundation, only political, and embrace to the hilt Anglo-American financialization, but with the same goal, to command and exploit Europe. The Financial Times recounts a decision made by Blackrock's man Merz and Goldman Sachs' man Treasury Minister Joerg Kukies, with the endorsement of the 'left' parties SPD and Die Linke, who, like their predecessors in 1914, are once again taking responsibility for future carnage.

If Germany's previous internal imperialism was based on austerity, export mercantilism, wage freezes and the destruction of the welfare state, this one will be based on the management of a European war economy organized hierarchically according to the differential interest rates to be paid when repaying the contracted debt.

The already heavily indebted countries (Italy, France, etc.) will have to find those who will buy their bonds issued to pay off the debt, in an increasingly competitive European "market." Investors will find it worthwhile to buy German bonds, bonds issued by arms companies on which upward speculation will be in play, and European government debt securities, which are certainly safer and more profitable than the bonds of super-indebted countries. The famous "spread" will still play its role as it did in 2011. The billions needed to pay the markets will not be available to the welfare state. The strategic goal of all governments and oligarchies for the past 50 years will now be achieved: Destroy social spending for the reproduction of the proletariat and instead privatize it. 

Driven by self-interest, 27 national entities will battle each other with nothing to gain, because history, which “we are the only ones who know what’s happening” has backed them into a corner, useless and irrelevant after centuries of colonialism, wars and genocides. 

The arms race is accompanied by a pounding "we are at war" pretext used against everyone (Russia, China , North Korea, Iran, Brics) that cannot be abandoned and is likely to come to fruition in a real war because this delusional amount of weapons must still "be consumed." 


The lessons of Rosa Luxemburg, Kalecki, Baran and Sweezy

Only the clueless can claim to be astonished by what is happening now. Everything is repeating itself, only it is happening within a system dominated by financial capitalism that is no longer the industrial capitalism of the 20th century.

War and armaments have been at the heart of economics and politics since capitalism became imperialist. And they are also at the heart of the process of reproduction of capital and the proletariat, in fierce competition with each other. Let us quickly reconstruct the theoretical framework provided by Rosa Luxemburg, Kalecki, Baran and Sweezy, firmly planted, in contrast to the useless contemporary critical theories, on the categories of imperialism, monopoly and war, which offers us a mirror of the contemporary situation.

We will start with the crisis of 1929, which had its roots in World War I and the attempt to get out of it by activating public spending through state intervention. According to Baran et Sweezy (henceforth B&S), the drawback of government spending in the 1930s was its volume, which was inadequate to counteract the depressive forces of the private economy. 

"Viewed as a rescue operation for the U.S. economy as a whole, the New Deal was thus a blatant failure. Even [John] Galbraith, the prophet of prosperity without war orders, recognized that in the decade 1930 - 1940, 'the great crisis' never ended."

The system would only come out of its crisis with World War II: "Then came the war, and with the war came salvation (...) military spending did what social spending had failed to accomplish" because government spending rose from $17.5 billion to $103.1 billion a year.

B&S show that government spending did not bring the results that military spending did because it was limited by a political problem that is still our own. Why did the New Deal and its spending, fail to achieve a goal that "was within reach, as the war later proved"? Because regarding the nature and composition of government spending, that is, of the reproduction of the system and the proletariat, the class struggle is unleashed. 

"Given the power structure of U.S. monopoly capitalism, the increase in civilian spending had almost reached its outer limits. The forces opposing further expansion were too powerful to be overcome." 

Social spending competed with or harmed corporations and oligarchies, robbing them of economic and political power. "Because private interests control political power the limits of public spending are rigidly set without any concern for social needs, however shamefully obvious they may be." And these limits also applied to spending, health care and education, which at that time, unlike today were not directly competing with the private interests of the oligarchies. 

The arms race allows increased public spending by the state, without transforming this into increased wages and consumption of the proletariat. [The challenge is] how to spend public money to avoid the economic depression that monopoly [capitalism] brings, while avoiding strengthening of the proletariat? "By armaments, by more armaments, by more and more armaments."

Michael Kalecki, working on the same period but on Nazi Germany, succeeds in elucidating other aspects of the problem. Against all economism, which always threatens the understanding of capitalism by critical theories, even by Marxist ones, he highlights the political nature of the capital cycle: "Discipline in the factories and political stability are more important to capitalists than current profits."

The political cycle of capital, which can now' only be guaranteed by state intervention, must resort to arms spending and fascism. For Kalecki, too, the political problem manifests itself in the "direction and purposes of public spending." The aversion to "subsidizing mass consumption" is motivated by the destruction it causes "of the basis of the capitalist ethic ----  'you will earn your bread by the sweat of your brow' (unless you live off the profits of capital)."

How to make sure that state spending is not transformed into increased employment, consumption and wages and thus into the political strength of the proletariat? The inconvenience for the oligarchies is overcome with fascism because the state machine is then under the control of big capital and the fascist leadership, with "the concentration of state expenditures in armaments," while "factory discipline and political stability is ensured by the dissolution of trade unions and concentration camps. Political pressure here replaces the economic pressure of unemployment."

Hence the immense success of the Nazis among most economic liberals in both Britain and America.

War and arms spending were central to American policy even after the end of World War II, because a political structure without an armed force, that is, without a monopoly on its exercise, was inconceivable. The volume of a nation's military apparatus depends on its position in the world hierarchy of exploitation. "The most important nations will always need the most, and the extent of their need (for armed force) will vary according to whether or not a spirited struggle for first place is going on among them." 

Military spending thus continued to grow in the center of imperialism: "Of course, most of the expansion of government spending took place in the military sector, which rose from less than 1 to more than 10 percent of GNP and accounted for about two-thirds of the total increase in government spending since 1920. This massive absorption of the surplus in limited preparations has been the central fact of postwar American history." 

Kalecki points out that in 1966 "more than half of the growth in national income is resolved in the growth of military spending."

Now, after the war [World War II], capitalism can no longer count on fascism to control social spending. The Polish economist, a 'pupil' of Rosa Luxemburg, points out, "One of the fundamental functions of Hitlerism was to overcome big capital's aversion to large-scale anti-consumerist policy. 

The big bourgeoisie had given its assent to the abandonment of laisser-faire and to the radical increase of the role of the state in the national economy, on the condition that the state apparatus would be under direct control of its alliance with the fascist leadership," and that the destination and content of public spending would be determined by armaments. 

In the Glorious Thirties (1930s), without fascism ensuring the direction of public spending, states and capitalists were forced into political compromise. Power relations determined by the century of revolutions forced the state and capitalists into concessions that are nevertheless compatible with profits reaching previously unknown growth rates. But even this compromise is one too many because, despite large profits, "the workers become 'recalcitrant' in such a situation and the 'captains of industry' become eager to 'teach them a lesson.'"

The counter - revolution, unfolding since the late 1960s, will have at its center, the destruction of social spending and the fierce desire to direct public spending toward the sole and exclusive interests of the oligarchies. The problem, since the Weimar Republic, has never been a generic intervention of the state in the economy, but the fact that the state had been invested by the class struggle and had been forced to yield to the demands of workers' and proletarian struggles.

In the "peaceful" times of the Cold War, without the aid of fascism, the explosion of military spending needs legitimacy, secured by propaganda capable of continually conjuring up the threat of a looming war, of an enemy at the gates ready to destroy Western values : "The unofficial and official creators of public opinion had the answer ready: the United States must defend the free world from the threat of Soviet (or Chinese) aggression."

Kalecki, for the same period specifies, "Newspapers, cinema, radio and television stations that work under the auspices of the ruling class create an atmosphere conducive to the militarization of the economy."

Spending on armaments has not only an economic function, but also one of producing subjugated subjectivities. War by exalting subordination and command "contributes to the creation of a conservative mentality."

"While massive public spending on education and welfare tends to undermine the privileged position of the oligarchy, military spending does the opposite. Militarization favors all reactionary forces (...) a blind respect for authority is determined; conduct of conformity and submission is taught and imposed; and contrary opinion is regarded as unpatriotic or even treasonable."

Capitalism produces a capitalist who, precisely because of the political form of its cycle, is a sower of death and destruction rather than a promoter of progress. Richard B. Russel, a conservative U.S. Southern senator as early as the 1960s quoted by B&S, tells us: "There is something about preparations for destruction that induces men to spend money more carelessly than if it were for constructive purposes. Why this happens I don't know; but for the thirty years or so that I have been in the Senate I have realized that in buying weapons to kill, destroy, wipe cities off the face of the earth and eliminate great transportation systems there is something that causes men not to calculate the expenditure with the same care employed when it comes to thinking of decent housing and health care for human beings."

The reproduction of capital and the proletariat became politicized through the revolutions of the 20th century. The class struggle also investing this reality has brought out a radical opposition between the reproduction of life and the reproduction of its destruction that has only deepened since the 1930s.


How does capitalism work

War and armaments, excluded in practice from virtually all critical theories of capitalism, function as discriminants in the analysis of capital and the state.

It is very difficult to call capitalism a "mode of production," as Marx did, because economy, war, politics, state, and technology are closely intertwined and inseparable elements. The "critique of economics" is not enough to produce a revolutionary theory. 

Already with the advent of imperialism a radical change in the functioning of capitalism and the state had been produced, made crystal clear by Rosa Luxemburg for whom accumulation has two expects. The first "concerns the production of surplus-value ---- in the factory, in the mine, in agricultural exploitation ---- and the circulation of goods in the market. Viewed from this point of view, accumulation is an economic process whose most important stage is a transaction between the capitalist and the wage earner." 

The second aspect has the whole world as its theater, a world dimension irreducible to the concept of "market" and its economic laws. "Here the methods employed are colonial politics, the international loan system, the politics of spheres of interest, war. Violence, fraud, oppression, predation develop openly, without mask, and it is difficult to recognize the strict laws of the economic process in the interweaving of economic violence and political brutality."

War is not a continuation of politics but coexists, from time immemorial, with it, as the functioning of the world market shows. Here, where war, fraud, and predation coexist with economics the law of value has never really worked. 

The world market looks very different from the one sketched by Marx. His considerations seem to no longer apply, or rather, need to be specified: only in the world market would money and labor become adequate to their concept, bringing their abstraction and universality to fruition. On the contrary, what we can see is that money, the most abstract and universal form of capital, is always the state currency. The dollar is the currency of the United States and reigns only as such. The abstraction of money and its universality (and its automatisms) are appropriated by a 'subjective force' and are managed according to a strategy that is not contained in money.  

Finance too, like technology seems to be the object of appropriation by "national" subjective forces, hardly universal.  In the world market, even abstract labor does not triumph as such, but instead encountering other, radically different labor (servile labor, slave labor, etc.) is the object of strategies.

Trump's action, having dropped the hypocritical veil of democratic capitalism, reveals to us the secret of economics: it can only function from an international division of production and reproduction that is defined and imposed politically, that is, using force that also involves war. 

The will to exploitation and domination, simultaneously managing political, economic and military relations, constructs a totality, which can never close in on itself, but always remains open, split by conflict, war and pillaging. In this split totality, the set of power relations converge and are governed. Trump intervenes on the use of words, but also on gender theories, while he would like to impose a new global positioning, both political and economic, of the U.S. From the micro to the macro, this is a political action that contemporary movements are far from even thinking about.

The construction of the financial bubble, a process we can follow step by step, happens in the same way. There are many actors that contribute to its production: the European Union, the states that must go into debt, the European Investment Bank, political parties, the media and public opinion, large investment funds (all based in the United States) that organize the movement of capital from one stock exchange to another, and large corporations. Only after the clash/cooperation between these power centers has given its verdict can the economic bubble and its automatic mechanisms function. There is a whole ideology about automatic operation that must be debunked. "Autopilot," especially at the financial level, exists and works only after it is politically established. It did not exist in the Glorious Thirties because it was politically decided upon, it has been functioning since the late 1970s by explicit political will.

This multiplicity of actors who have been agitating for months is held together by a strategy. There is thus a subjective element that intervenes in a fundamental way. Two ways. From the capitalist point of view, there is a fierce struggle going on between the "subjective factor" Trump and the "subjective factor" of the elites who were defeated in the presidential election but still have strong presences in the centers of power in the U.S. and Europe. 

But for capitalism to work we must also consider a subjective proletarian factor. It plays a decisive role because it will either become the passive bearer of the new process of capital production/reproduction or it will tend to reject and destroy it. Having ascertained the incapacity of the contemporary proletariat, the weakest, the most disoriented, the least autonomous and independent proletariat in the history of capitalism, the first option seems the most likely. But if it fails to oppose a strategy of its own to the enemy's continuous strategic innovations, capable of continual renewal, we will fall within an asymmetry of power relations that will take us back to before the French Revolution, into a new/already seen "ancien régime."


26/03/2025

MAURIZIO LAZZARATO
S’armer pour sauver le capitalisme financier !
La leçon de Rosa Luxemburg, Kalecki, Baran et Sweezy

Maurizio Lazzarato, 26/3/2025
Dessins d' Enrico Bertuccioli
Traduit par Fausto Giudice, Tlaxcala

« Si grande que soit une nation, si elle aime la guerre, elle périra ; si pacifique que soit le monde, s’il oublie la guerre, il sera en danger »

Wu Zi, ancien traité militaire chinois

« Quand nous parlons de système de guerre, nous entendons un système tel que celui qui est en vigueur et qui suppose que la guerre, même si elle n’est que planifiée et non combattue, est le fondement et le sommet de l’ordre politique, c’est-à-dire des relations entre les peuples et entre les hommes. Un système où la guerre n’est pas un événement mais une institution, pas une crise mais une fonction, pas une rupture mais une pierre angulaire du système, une guerre toujours décriée et exorcisée, mais jamais abandonnée comme une possibilité réelle »

Claudio Napoleoni, 1986


L’avènement de Trump est apocalyptique, au sens original du terme apocalypse, celui de révélation. Son agitation convulsive a le grand mérite de montrer la nature du capitalisme, le rapport entre la guerre, la politique et le profit, entre le capital et l’État habituellement voilé par la démocratie, les droits humains, les valeurs et la mission de la civilisation occidentale. 

La même hypocrisie est au cœur du récit construit pour légitimer les 800 milliards d’euros de réarmement que l’UE impose aux États membres par le recours à l’état d’exception. S’armer ne signifie pas, comme le dit Draghi, défendre « les valeurs qui ont fondé notre société européenne » et qui ont « garanti pendant des décennies à ses citoyens la paix, la solidarité et, avec notre allié américain, la sécurité, la souveraineté et l’indépendance », mais cela signifie sauver le capitalisme financier.

Il n’y a même pas besoin de grands discours et d’analyses documentées pour masquer l’indigence de ces récits, il a suffi d’un nouveau massacre de 400 civils palestiniens pour mettre en évidence la vérité du bavardage indécent sur l’unicité et la suprématie morale et culturelle de l’Occident.

Trump n’est pas un pacifiste, il ne fait que reconnaître la défaite stratégique de l’OTAN dans la guerre d’Ukraine, alors que les élites européennes refusent l’évidence. Pour elles, la paix signifierait le retour à l’état catastrophique auquel elles ont réduit leurs nations. La guerre doit continuer car pour elles, comme pour les démocrates et l’État profond usaméricain, c’est le moyen de sortir de la crise qui a commencé en 2008, comme ce fut le cas pour la grande crise de 1929. Trump pense pouvoir la résoudre en donnant la priorité à l’économie sans renier la violence, le chantage, l’intimidation, la guerre. Il est très probable que ni l’un ni les autres ne réussiront car ils ont un énorme problème : le capitalisme, dans sa forme financière, est en crise profonde et c’est précisément de son centre, les USA, qu’arrivent les signaux “dramatiques” pour les élites qui nous gouvernent. Au lieu de converger vers les USA, les capitaux fuient vers l’Europe. Une grande nouveauté, symptôme de grandes ruptures imprévisibles qui risquent d’être catastrophiques.

Le capital financier ne produit pas de biens, mais des bulles qui gonflent toutes aux USA et éclatent au détriment du reste du monde, se révélant être des armes de destruction massive. La finance usaméricaine aspire de la valeur (les capitaux) du monde entier, l’investit dans une bulle qui tôt ou tard éclatera, obligeant les peuples de la planète à l’austérité, au sacrifice pour payer ses échecs : d’abord la bulle internet, puis la bulle des subprimes qui a provoqué l’une des plus grandes crises financières de l’histoire du capitalisme, ouvrant la porte à la guerre. Ils ont aussi tenté la bulle du capitalisme vert qui n’a jamais décollé et enfin celle, incomparablement plus grosse, des entreprises de haute technologie. Pour colmater les brèches des désastres de la dette privée déchargée sur les dettes publiques, la Réserve fédérale et la Banque européenne ont inondé les marchés de liquidités qui, au lieu de “ruisseler” dans l’économie réelle, ont servi à alimenter la bulle des hautes technologies et le développement des fonds d’investissement, connus sous le nom de “Big Three” : Vanguard, BlackRock et State Street (le plus grand monopole de l’histoire du capitalisme, gérant 50 000 milliards de dollars, actionnaire principal de toutes les plus importantes sociétés cotées en bourse). Aujourd’hui, même cette bulle est en train de se dégonfler.

Si l’on divise par deux la capitalisation totale de la bourse de Wall Street, on est encore loin de la valeur réelle des entreprises de haute technologie, dont les actions ont été gonflées par ces mêmes fonds pour maintenir des dividendes élevés pour leurs “épargnants” (les Démocrates comptaient aussi remplacer le welfare par la finance pour tous, comme ils avaient déliré auparavant sur la maison pour tous les USAméricains).

Aujourd’hui, le festin touche à sa fin. La bulle a atteint sa limite et les valeurs chutent avec un risque réel d’effondrement. Si l’on ajoute à cela l’incertitude que la politique de Trump, représentant d’une finance qui n’est pas celle des fonds d’investissement, introduit dans un système que ces derniers avaient réussi à stabiliser avec l’aide des Démocrates, on comprend les craintes des “marchés”. Le capitalisme occidental a besoin d’une nouvelle bulle car il ne connaît rien d’autre que la reproduction de l'identique (la tentative trumpienne de reconstruire l’industrie manufacturière aux USA est vouée à un échec certain). 


L’identité parfaite de la “production” et de la destruction

L’Europe, qui dépense déjà 386 milliards d'Euros [UE : 326, RU : 60] en armements, soit 2,64 fois plus que ce que dépense la Russie [146 milliards] (l’OTAN représente 55 % des dépenses d’armement dans le monde, la Russie 5 %), a décidé d’un grand plan d’investissement de 800 milliards d’euros pour augmenter encore les dépenses militaires.

La guerre et l’Europe où sont encore actifs des réseaux politiques et économiques, des centres de pouvoir qui se réfèrent à la stratégie représentée par Biden, battue à la dernière élection présidentielle, sont l’occasion de construire une bulle basée sur l’armement pour compenser les difficultés croissantes des “marchés” usaméricains. Depuis décembre, les actions des entreprises d’armement ont déjà fait l’objet de spéculations, allant de hausse en hausse et jouant le rôle de valeur refuge pour les capitaux qui jugent la situation usaméricaine trop risquée. Au cœur de l’opération, les fonds d’investissement, qui sont aussi parmi les plus gros actionnaires des grandes entreprises d’armement. Ils détiennent des participations importantes dans Boeing, Lockheed Martin et RTX, dont ils influencent la gestion et les stratégies. En Europe, ils sont également présents dans le complexe militaro-industriel : Rheinmetall, une entreprise allemande qui produit les chars Leopard et dont le cours de l’action a augmenté de 100 % au cours des derniers mois, compte parmi ses principaux actionnaires Blackrock, la Société Générale, Vanguard, etc.. Plus grand fabricant de munitions d’Europe, Rheinmetall a dépassé le plus grand constructeur automobile du continent, Volkswagen, en termes de capitalisation, dernier signe en date de l’appétit croissant des investisseurs pour les valeurs liées à la défense.

L’Union européenne veut collecter et canaliser l’épargne continentale vers l’armement, avec des conséquences catastrophiques pour le prolétariat et une nouvelle division de l’Union. La course aux armements ne pourra pas fonctionner comme un « keynésianisme de guerre » parce que l’investissement dans les armes intervient dans une économie financiarisée et non plus industrielle. Construite avec de l’argent public, elle profitera à une petite minorité de particuliers, tout en aggravant les conditions de vie de la grande majorité de la population.

La bulle de l’armement ne pourra que produire les mêmes effets que la bulle de la haute technologie usaméricaine. Après 2008, les sommes d’argent capturées pour être investies dans la bulle high-tech n’ont jamais “ruisselé” vers le prolétariat usaméricain. Au contraire, elles ont produit une désindustrialisation croissante, des emplois déqualifiés et précaires, des bas salaires, une pauvreté endémique, la destruction du peu de welfare hérité du New Deal et la privatisation de tous les services qui s’en est suivie. C’est ce que la bulle financière européenne ne manquera pas de produire en Europe. La financiarisation conduira non seulement à la destruction complète de l’État-providence et à la privatisation définitive des services, mais aussi à la poursuite de la fragmentation politique de ce qui reste de l’Union européenne. Les dettes, contractées par chaque État séparément, devront être remboursées et il y aura d’énormes différences entre les États européens quant à leur capacité à honorer leurs dettes. 

Le vrai danger, ce ne sont pas les Russes, mais les Allemands avec leurs 500 milliards de réarmement et 500 autres milliards pour les infrastructures, des financements décisifs dans la construction de la bulle. La dernière fois qu’ils se sont réarmés, ils ont combiné des catastrophes mondiales (25 millions de morts dans la seule Russie soviétique, la solution finale, etc.), d’où la célèbre phrase de Maruriac : « J’aime tellement l’Allemagne que je suis ravi qu’il y en ait deux ». En attendant les développements ultérieurs du nationalisme et de l’extrême droite déjà à 21 % que le « Deutschland ist zurück » [L’Allemagne est retour] ne manquera pas de produire, l’Allemagne imposera aux autres pays européens son hégémonie impérialiste habituelle. Les Allemands ont rapidement abandonné le credo ordo-libéral qui n’avait pas de base économique, mais seulement politique, pour embrasser à pleine bouche la financiarisation anglo-usaméricaine, mais avec le même objectif, dominer et exploiter l’Europe. Le Financial Times parle d’une décision prise par Merz, l’homme de Blackrock, et Kukies, le ministre du Trésor venu de Goldman Sachs, avec l’aval des partis de “gauche” SPD et Die Linke, qui, comme leurs prédécesseurs en 1914, assument une fois de plus la responsabilité des carnages à venir.

Si le précédent impérialisme intérieur allemand était fondé sur l’austérité, le mercantilisme des exportations, le gel des salaires et la destruction de l’Etat-providence, celui-ci sera fondé sur la gestion d’une économie de guerre européenne hiérarchisée selon les différentiels de taux d’intérêt à payer pour rembourser la dette contractée.

Les pays déjà lourdement endettés (Italie, France, etc.) devront trouver qui achètera leurs obligations émises pour rembourser leur dette, dans un “marché” européen de plus en plus concurrentiel. Les investisseurs auront intérêt à acheter des obligations allemandes, des obligations émises par des entreprises d’armement sur lesquelles la spéculation à la hausse jouera, et des titres de la dette publique européenne, certainement plus sûrs et plus rentables que les obligations des pays surendettés. Le fameux “spread” jouera encore son rôle comme en 2011. Les milliards nécessaires pour payer les marchés ne seront pas disponibles pour l’État-providence. L’objectif stratégique de tous les gouvernements et oligarchies depuis cinquante ans, la destruction des dépenses sociales pour la reproduction du prolétariat et leur privatisation, sera atteint.

27 égoïsmes nationaux s’affronteront sans enjeu, parce que l’histoire, dont « nous sommes les seuls à savoir ce que c’est », nous a mis au pied du mur, devenus inutiles et insignifiants après des siècles de colonialisme, de guerres et de génocides. 

La course aux armements s’accompagne d’une justification martelée – « nous sommes en guerre » contre tous (Russie, Chine, Corée du Nord, Iran, BRICS) - qui ne peut être abandonnée et qui risque de se concrétiser parce que cette quantité délirante d’armes doit de toute façon « être consommée ».

La leçon de Rosa Luxemburg, Kalecki, Baran et Sweezy

Seuls les non-informés peuvent s’étonner de ce qui se passe. Tout est en fait en train de se répéter, mais dans le cadre d’un capitalisme financier et non plus industriel comme au XXe siècle.

La guerre et l’armement sont au cœur de l’économie et de la politique depuis que le capitalisme est devenu impérialiste. Ils sont aussi au cœur du processus de reproduction du capital et du prolétariat, en concurrence féroce l’un avec l’autre.  Reconstituons rapidement le cadre théorique fourni par Rosa Luxemburg, Kalecki, Baran et Sweezy, solidement ancré, contrairement aux inutiles théories critiques contemporaines, sur les catégories d’impérialisme, de monopole et de guerre, qui nous offre un miroir de la situation contemporaine.

Commençons par la crise de 1929, qui trouve son origine dans la Première Guerre mondiale et la tentative d’en sortir en activant les dépenses publiques par l’intervention de l’État. Selon Baran et Sweezy (ci-après B&S), l’inconvénient des dépenses publiques dans les années 1930 était leur volume, incapable de contrer les forces dépressives de l’économie privée. 

« Considéré comme une opération de sauvetage de l’économie américaine dans son ensemble, le New Deal a donc été un échec flagrant. Même Galbraith, le prophète de la prospérité sans engagements guerriers, a reconnu qu’au cours de la décennie 1930-1940, la “grande crise” n’a jamais pris fin ».

Ce n’est qu’avec la Seconde Guerre mondiale qu’elle a pris fin : « Puis vint la guerre, et avec la guerre vint le salut (...) les dépenses militaires ont fait ce que les dépenses sociales n’avaient pas réussi à faire », car les dépenses publiques sont passées de 17,5 milliards de dollars à 103,1 milliards de dollars.

B&S montrent que les dépenses publiques n’ont pas donné les mêmes résultats que les dépenses militaires parce qu’elles étaient limitées par un problème politique qui est toujours d’actualité. Pourquoi le New Deal et ses dépenses n’ont-ils pas atteint un objectif qui « était à portée de main, comme la guerre l’a prouvé par la suite » ? Parce que sur la nature et la composition des dépenses publiques, c’est-à-dire la reproduction du système et du prolétariat, la lutte des classes se déchaîne. 

« Compte tenu de la structure du pouvoir du capitalisme monopoliste usaméricain, l’augmentation des dépenses civiles avait presque atteint ses limites extrêmes. Les forces qui s’opposaient à une nouvelle expansion étaient trop puissantes pour être vaincues ». 

Les dépenses sociales ont concurrencé ou nui aux entreprises et aux oligarchies, les privant de leur pouvoir économique et politique. « Comme les intérêts privés contrôlent le pouvoir politique, les limites des dépenses publiques sont fixées de manière rigide, sans se soucier des besoins sociaux, aussi flagrants soient-ils ». Et ces limites s’appliquaient également aux dépenses, à la santé et à l’éducation, qui à l’époque, contrairement à aujourd’hui, n’étaient pas directement en concurrence avec les intérêts privés des oligarchies. 

La course aux armements permet d’augmenter les dépenses publiques de l’État, sans que cela se traduise par une augmentation des salaires et de la consommation du prolétariat. Comment l’argent public peut-il être dépensé pour éviter la dépression économique qu’entraîne le monopole, tout en évitant le renforcement du prolétariat ? « Par des armements, par plus d’armements, par de plus en plus d’armements ».

Michael Kalecki, travaillant sur la même période mais sur l’Allemagne nazie, parvient à élucider d’autres aspects du problème. Contre tout économisme, qui menace toujours la compréhension du capitalisme par des théories critiques même marxistes, il souligne la nature politique du cycle du capital :   « La discipline dans les usines et la stabilité politique sont plus importantes pour les capitalistes que les profits courants ».

Le cycle politique du capital, qui ne peut plus être garanti que par l’intervention de l’État, doit recourir aux dépenses d’armement et au fascisme. Pour Kalecki, le problème politique se manifeste également dans « l’orientation et les objectifs des dépenses publiques ». L’aversion pour la « subvention de la consommation de masse » est motivée par la destruction « du fondement de l’éthique capitaliste “tu gagneras ton pain à la sueur de ton front” (à moins que tu ne vives des revenus du capital) ».

Comment s’assurer que les dépenses de l’État ne se transforment pas en augmentation de l’emploi, de la consommation et des salaires, et donc en force politique du prolétariat ? L’inconvénient pour les oligarchies est surmonté avec le fascisme, car la machine d’État est alors sous le contrôle du grand capital et de la direction fasciste, avec « la concentration des dépenses de l’État sur l’armement », tandis que « la discipline d’usine et la stabilité politique sont assurées par la dissolution des syndicats et les camps de concentration. La pression politique remplace ici la pression économique du chômage ».

D’où l’immense succès des nazis auprès de la majorité des libéraux tant britanniques qu’usaméricains.

La guerre et les dépenses d’armement sont au cœur de la politique usaméricaine même après la fin de la Seconde Guerre mondiale, car une structure politique sans force armée, c’est-à-dire sans le monopole de son exercice, est inconcevable. Le volume de l’appareil militaire d’une nation dépend de sa position dans la hiérarchie mondiale de l’exploitation. « Les nations les plus importantes auront toujours les besoins les plus importants, et l’ampleur de leurs besoins (en forces armées) variera selon qu’une lutte acharnée pour la première place se déroulera ou non entre elles ». 

 Les dépenses militaires ont donc continué à croître dans le centre de l’impérialisme : « Bien entendu, la majeure partie de l’expansion des dépenses publiques a eu lieu dans le secteur militaire, qui est passé de moins de 1 % à plus de 10 % du PNB et qui a représenté environ deux tiers de l’augmentation totale des dépenses publiques depuis 1920. Cette absorption massive de l’excédent dans des préparatifs limités a été le fait central de l’histoire usaméricaine d’après-guerre » 

Kalecki souligne qu’en 1966, « plus de la moitié de la croissance du revenu national provient de la croissance des dépenses militaires ».

Or, après la guerre, le capitalisme ne pouvait plus compter sur le fascisme pour contrôler les dépenses sociales. L’économiste polonais, “élève” de Rosa Luxemburg, souligne : « L’une des fonctions fondamentales de l’hitlérisme a été de surmonter l’aversion du grand capital pour une politique anticonjoncturelle à grande échelle. La grande bourgeoisie avait donné son accord à l’abandon du laisser-faire et à l’accroissement radical du rôle de l’État dans l’économie nationale, à condition que l’appareil d’État soit sous le contrôle direct de son alliance avec la direction fasciste » et que la destination et le contenu des dépenses publiques soient déterminés par l’armement. Dans les Trente Glorieuses, sans que le fascisme n’assure l’orientation des dépenses publiques, les États et les capitalistes sont contraints au compromis politique. Les rapports de force déterminés par le siècle des révolutions obligent l’État et les capitalistes à faire des concessions qui sont de toute façon compatibles avec des profits atteignant des taux de croissance inconnus jusqu’alors. Mais même ce compromis est de trop car, malgré les profits importants, « les travailleurs deviennent alors “récalcitrants” et les “capitaines d’industrie” sont soucieux de leur “donner une leçon” ».

La contre-révolution, qui s’est développée à partir de la fin des années 1960, avait pour centre la destruction des dépenses sociales et la volonté farouche d’orienter les dépenses publiques vers les seuls et uniques intérêts des oligarchies. Le problème, depuis la République de Weimar, n’a jamais été une intervention générique de l’État dans l’économie, mais le fait que l’État avait été investi par la lutte des classes et avait été contraint de céder aux exigences des luttes ouvrières et prolétariennes.

Dans les temps “paisibles” de la guerre froide, sans l’aide du fascisme, l’explosion des dépenses militaires a besoin d’une légitimation, assurée par une propagande capable d’évoquer continuellement la menace d’une guerre imminente, d’un ennemi aux portes prêt à détruire les valeurs occidentales : « Les créateurs officieux et officiels de l’opinion publique ont la réponse toute prête : les USA doivent défendre le monde libre contre la menace d’une agression soviétique (ou chinoise)3.

Kalecki, pour la même période, précise : « Les journaux, le cinéma, les stations de radio et de télévision travaillant sous l’égide de la classe dirigeante créent une atmosphère qui favorise la militarisation de l’économie ».

Les dépenses d’armement n’ont pas seulement une fonction économique, mais aussi une fonction de production de subjectivités assujetties. En exaltant la subordination et le commandement, la guerre « contribue à la création d’une mentalité conservatrice ».

« Alors que les dépenses publiques massives en faveur de l’éducation et de la protection sociale tendent à saper la position privilégiée de l’oligarchie, les dépenses militaires font le contraire. La militarisation favorise toutes les forces réactionnaires, (...) un respect aveugle de l’autorité est déterminé ; une conduite de conformité et de soumission est enseignée et imposée ; et l’opinion contraire est considérée comme antipatriotique, voire comme une trahison ».

Le capitalisme produit un capitaliste qui, précisément en raison de la forme politique de son cycle, est un semeur de mort et de destruction, plutôt qu’un promoteur de progrès. Richard B. Russell, sénateur conservateur du Sud des USA dans les années 1960, cité par B&S, nous le dit : « Il y a quelque chose dans les préparatifs de destruction qui incite les hommes à dépenser l’argent plus inconsidérément que s’il était destiné à des fins constructives. Je ne sais pas pourquoi cela se produit, mais depuis une trentaine d’années que je siège au Sénat, je me suis rendu compte qu’en achetant des armes pour tuer, détruire, rayer des villes de la surface de la terre et éliminer de grands systèmes de transport, il y a quelque chose qui fait que les hommes ne calculent pas les dépenses aussi soigneusement qu’ils le font lorsqu’il s’agit de penser à un logement décent et à des soins de santé pour les êtres humains ».

La reproduction du capital et du prolétariat s’est politisée à travers les révolutions du XXe siècle. La lutte des classes a également engendré une opposition radicale entre la reproduction de la vie et la reproduction de sa destruction, qui n’a fait que s’approfondir depuis les années 1930.


Comment fonctionne le capitalisme 

La guerre et l’armement, pratiquement exclus de toutes les théories critiques du capitalisme, fonctionnent comme des discriminants dans l’analyse du capital et de l’État.

Il est très difficile de définir le capitalisme comme un “mode de production”, comme l’a fait Marx, parce que l’économie, la guerre, la politique, l’État, la technologie sont des éléments étroitement liés et inséparables. La “critique de l’économie” ne suffit pas à produire une théorie révolutionnaire. Dès l’avènement de l’impérialisme, un changement radical dans le fonctionnement du capitalisme et de l’Etat s’est produit, mis en évidence par Rosa Luxemburg pour qui l’accumulation a deux aspects. Le premier « concerne la production de la plus-value - dans l’usine, dans la mine, dans l’exploitation agricole - et la circulation des marchandises sur le marché. Vue sous cet angle, l’accumulation est un processus économique dont la phase la plus importante est une transaction entre le capitaliste et le salarié ». Le second aspect a pour théâtre le monde entier, une dimension mondiale irréductible au concept de “marché” et à ses lois économiques. « Ici, les méthodes employées sont la politique coloniale, le système des prêts internationaux, la politique des sphères d’intérêt, la guerre. La violence, la tromperie, l’oppression, la prédation se développent ouvertement, sans masque, et il est difficile de reconnaître les lois strictes du processus économique dans l’enchevêtrement de la violence économique et de la brutalité politique ».

La guerre n’est pas une continuation de la politique mais a toujours coexisté avec elle, comme le montre le fonctionnement du marché mondial. Ici, où la guerre, la fraude et la prédation coexistent avec l’économie, la loi de la valeur n’a jamais vraiment fonctionné. Le marché mondial est très différent de celui esquissé par Marx. Ses considérations semblent ne plus s’appliquer, ou plutôt doivent être précisées : ce n’est que dans le marché mondial que l’argent et le travail deviendraient adéquats à leur concept, faisant fructifier leur abstraction et leur universalité. Au contraire, on constate que la monnaie, forme la plus abstraite et la plus universelle du capital, est toujours la monnaie d’un État. Le dollar est la monnaie des USA et ne règne qu’en tant que tel. L’abstraction de la monnaie et son universalité (et ses automatismes) sont appropriées par une “force subjective” et sont gérées selon une stratégie qui n’est pas contenue dans la monnaie.  

Même la finance, comme la technologie, semble être l’objet d’une appropriation par des forces subjectives “nationales”, très peu universelles.  Sur le marché mondial, même le travail abstrait ne triomphe pas en tant que tel, mais rencontre d’autres formes radicalement différentes de travail (travail servile, travail d’esclave, etc.) et fait l’objet de stratégies.

L’action de Trump, ayant fait tomber le voile hypocrite du capitalisme démocratique, nous révèle le secret de l’économie : elle ne peut fonctionner qu’à partir d’une division internationale de la production et de la reproduction définie et imposée politiquement, c’est-à-dire par l’usage de la force, ce qui implique aussi la guerre. 

La volonté d’exploiter et de dominer, en gérant simultanément les relations politiques, économiques et militaires, construit une totalité qui ne peut jamais se refermer sur elle-même, mais qui reste toujours ouverte, scindée par les conflits, les guerres, les prédations. Dans cette totalité éclatée, tous les rapports de force convergent et se gouvernent eux-mêmes. Trump intervient sur l’usage des mots, mais aussi sur les théories du genre, en même temps qu’il voudrait imposer un nouveau positionnement mondial, à la fois politique et économique, des USA. Du micro au macro, une action politique à laquelle les mouvements contemporains sont loin de ne serait-ce que de penser.

La construction de la bulle financière, processus que l’on peut suivre pas à pas, se déroule de la même manière. Les acteurs impliqués dans sa production sont nombreux : l’Union européenne, les États qui doivent s’endetter, la Banque européenne d’investissement, les partis politiques, les médias et l’opinion publique, les grands fonds d’investissement (tous usaméricains) qui organisent le transport des capitaux d’une bourse à l’autre, les grandes entreprises. Ce n’est qu’après le verdict de l’affrontement/coopération entre ces centres de pouvoir que la bulle économique et ses automatismes pourront fonctionner. Il y a toute une idéologie de l’automatisme à déboulonner. Le “pilote automatique”, surtout au niveau financier, n’existe et ne fonctionne qu’après avoir été politiquement mis en place. Il n’a pas existé dans les années 1930 parce qu’il a été décidé politiquement, il fonctionne depuis la fin des années 1970, par une volonté politique explicite.

Cette multiplicité d’acteurs qui s’agitent depuis des mois est soudée par une stratégie. Il y a donc un élément subjectif qui intervient de manière fondamentale. En fait, il y en a deux. Du point de vue capitaliste, il y a une lutte féroce entre le “facteur subjectif” Trump et le “facteur subjectif” des élites qui ont été battues à l’élection présidentielle, mais qui ont encore de fortes présences dans les centres de pouvoir aux USA et en Europe. 

Mais pour que le capitalisme fonctionne, il faut aussi tenir compte d’un facteur prolétarien subjectif. Il joue un rôle décisif car soit il deviendra le porteur passif du nouveau processus de production/reproduction du capital, soit il tendra à le rejeter et à le détruire. Compte tenu de l’incapacité du prolétariat contemporain, le plus faible, le plus désorienté, le moins autonome et indépendant de l’histoire du capitalisme, la première option semble la plus probable. Mais s’il ne parvient pas à opposer sa propre stratégie aux innovations stratégiques permanentes de l’ennemi, capables de se renouveler sans cesse, nous tomberons dans une asymétrie des rapports de force qui nous ramènera au temps d’avant la Révolution française, dans un “ancien régime” nouveau/ déjà vu. [et vive le technoféodalisme !, NdT]

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