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18/03/2026

Quanto mais o golpeiam, mais forte ele fica: o paradoxo do Irã que escapa à estupidez imperial

Tahar Lamri, 16/3/2026

Há uma categoria que falta no debate sobre a guerra em curso contra o Irã, e sua ausência explica por que aqueles que a combatem continuam errando tudo.

O Irã não é um movimento de partisans como a FLN argelina, que era uma frente sem dogma unificador - coalizão de nacionalistas, socialistas, comunistas, conservadores - mantida unida por um único objetivo: expulsar o colonizador. Não é o Vietnã do Norte, que era um estado numa parte do território com uma doutrina exportável - o comunismo - mas dependente de Moscou e Pequim e geograficamente limitado. Hamas, Hezbollah, os Houthis são milícias, entidades subnacionais que usam táticas de guerrilha porque não têm alternativa: sua assimetria é forçada, não escolhida.

O Irã é algo diferente e historicamente novo: representa o primeiro caso histórico de um estado que adota estruturalmente a doutrina da guerra de partisans como escolha estratégica soberana, combinando a legitimidade e os recursos de um estado com a lógica operacional do movimento de resistência. Tem um exército regular, mísseis balísticos, uma marinha, instituições reconhecidas, é um estado westfaliano em todos os aspectos. E no entanto, escolheu deliberadamente a doutrina da guerra de partisans como estratégia soberana: saturação com armas econômicas, desgaste, aceitação consciente das perdas territoriais para tornar o custo insustentável para o adversário. Não porque não pudesse fazer de outra forma, mas porque avaliou que era a estratégia ótima contra uma superioridade convencional esmagadora.

Essa escolha tem uma consequência econômica devastadora para quem o combate. Um drone Shahed custa vinte mil dólares. Um interceptador THAAD custa 12,7 milhões de dólares. O Irã lançou na primeira semana de guerra quinhentos mísseis balísticos e quase dois mil drones. A matemática é impiedosa: a guerra pobre faz a guerra rica pagar um custo insustentável: não no campo de batalha, mas nas cadeias de suprimentos, nos orçamentos, nos estoques de interceptadores que se esgotam mais rápido do que podem ser produzidos.

Mas a novidade mais profunda não é militar: é estrutural. O Irã institucionalizou uma contradição que todos os movimentos de libertação tiveram que escolher: ser estado ou ser revolução. A Argélia depois de 1962 escolheu ser estado e deixou de ser revolução. Cuba tentou ambas e falhou. O Irã não: construiu deliberadamente uma dualidade permanente. O exército regular é o estado westfaliano. Os Pasdaran - os Guardas da Revolução - são a revolução permanente, com suas redes regionais, suas ramificações no Iêmen, Iraque, Líbano, todas unidas não por uma ideologia laica mas por uma fé: o islamismo xiita como identidade, memória, trauma fundador. Não se escolhe ser xiita como se escolhe ser comunista. É família, luto, corpo. Karbala não é um evento histórico: é um paradigma cosmológico que se repete.

O resultado é um internacionalismo religioso que não é uma aliança entre estados, não é uma Internacional leninista, mas uma rede transnacional mantida unida por uma gramática existencial comum que não precisa de um centro de comando explícito para se coordenar.

E então EUA e Israel fizeram o maior presente: criaram o panteão. Soleimani, Nasrallah, Khamenei: cada eliminação direcionada que pensavam resolver um problema estratégico produziu um mártir que multiplica a coesão da rede. Na teologia xiita, a morte do líder justo pelas mãos do opressor não é uma derrota: é a confirmação de sua justiça. É a estrutura narrativa de Karbala. Um general vivo pode errar, pode decepcionar, pode envelhecer. Um mártir é eterno e perfeito. Reescreveram, com seus mísseis, o roteiro que o outro lado esperava.

A República Islâmica do Irã tem como ideal a felicidade humana em toda a sociedade e considera que a conquista da independência, da liberdade e do império da justiça e da verdade é um direito de todos os povos do mundo. Consequentemente, ao mesmo tempo em que se abstém escrupulosamente de qualquer forma de ingerência nos assuntos internos de outras nações, apoia as lutas justas dos mustadhafoun (oprimidos) contra os mustakbirun (opressores/arrogantes) em todos os cantos do mundo.

Constituição da República Islâmica do Irã, Capítulo 10, Artigo 154

Mas há um último erro, talvez o mais grave. Israel atingiu os bancos do Hezbollah (o Instituto Al Qardh al-Hassan) e o maior banco iraniano (Bank Sepah). No mundo xiita khomeinista, o banco não é uma instituição financeira: é a infraestrutura material da teologia. É o mecanismo através do qual se distribui o zakat, se financiam as obras de caridade, se mantém o pacto com os mustazaafin, os mais fracos, os oprimidos, os condenados da terra de Fanon. Khomeini construiu o consenso da revolução sobre esta rede capilar de solidariedade material. Atingi-la não enfraquece a narrativa da resistência: a confirma. Demonstra, na vida cotidiana de milhões de pobres, quem são os inimigos dos fracos. É a melhor propaganda possível, realizada pelas próprias bombas israelenses.

Juntando tudo: está-se combatendo com a lógica da guerra convencional - decapitar a estrutura, cortar o financiamento, destruir infraestruturas - uma forma política que não é uma estrutura convencional. É uma rede simbólica, social, militar e religiosa deliberadamente construída para ser indestrutível precisamente através da destruição. Cada bomba que cai fortalece o narrativa. Cada mártir consolida o panteão. Cada banco atingido mostra aos pobres de que lado está o opressor.

E se o estado iraniano for desmembrado ou derrotado, os Pasdaran sem estado - treinados, armados, formados numa cultura do martírio que não depende de nenhuma instituição para sobreviver - espalhar-se-iam por uma região que vai do Líbano ao Paquistão, do Azerbaijão ao Bahrein, com ramificações em três continentes. Não mais contidos por nenhuma estrutura estatal, sem nada a perder, com mártires poderosíssimos e uma narrativa de resistência mais forte do que antes. Um estado iraniano hostil é dissuadível. Um enxame de Pasdaran sem estado não o é.

E enquanto tudo isso acontece, três sinais dizem o quão profundamente esta guerra está escapando ao controle narrativo de quem a desencadeou.

A Turquia esperava milhões de refugiados iranianos fugindo das bombas. Viu, em vez disso, milhares de iranianos cruzando a fronteira na direção oposta, para regressar a defender a pátria. Não necessariamente o regime: o Irã. A civilização persa de quatro milênios que não se deixa reduzir à equação “regime igual a povo”. O nacionalismo ferido produz o que anos de oposição política não conseguem construir.

E depois há Gaza. O Irã é atacado depois que o mundo assistiu durante meses ao genocídio palestino transmitido ao vivo, documentado, negado pelas chancelarias ocidentais. Para os pobres da terra, para o Sul global, para qualquer um que se sinta do lado dos humilhados, a sequência é legível e brutal: quem defendia os palestinos é agora bombardeado pelos mesmos que armavam quem os massacrava. O Irã tornou-se, no imaginário global dos condenados, algo que vai muito além da política regional ou da teologia xiita: é a promessa de que se pode resistir, é a vingança simbólica de quem nunca teve justiça. Essa solidariedade não tem fronteiras confessionais nem geográficas.

Finalmente, há a China. Seus estrategistas não estão olhando para a guerra: estão conduzindo a mais detalhada avaliação possível das capacidades reais euamericanas em condições de conflito de alta intensidade. Cada interceptador THAAD disparado, cada Tomahawk lançado, cada dia de guerra é um dado sobre a resistência logística e industrial do adversário que terão que enfrentar, um dia, no Pacífico. Veem os estoques se esgotarem, os tempos de produção não acompanharem o consumo, a cadeia logística sob pressão. Estão tomando notas. E não precisam lutar para ganhar esta guerra: basta-lhes esperar que a EUAmérica fique sem munições.

Esta guerra não pode ser vencida. Só pode ser alargada. E o mundo sabe disso.

Cuanto más lo golpean, más fuerte se vuelve: la paradoja de Irán que escapa a la estupidez imperial

Tahar Lamri, 16-3-2026

Hay una categoría que falta en el debate sobre la guerra en curso contra Irán, y su ausencia explica por qué quienes la libran siguen equivocándose en todo.

Irán no es un movimiento partisano como el FLN argelino, que era un frente sin dogma unificador -coalición de nacionalistas, socialistas, comunistas, conservadores- unido por un único objetivo: expulsar al colonizador. No es Vietnam del Norte, que era un Estado en una parte del territorio con una doctrina exportable -el comunismo- pero dependiente de Moscú y Pekín y geográficamente limitado. Hamás, Hezbolá, los hutíes son milicias, entidades subnacionales que utilizan tácticas de guerrilla porque no tienen alternativa: su asimetría es forzada, no elegida.

Irán es algo diferente e históricamente nuevo: representa el primer caso histórico de un Estado que adopta estructuralmente la doctrina de la guerra partisana como opción estratégica soberana, combinando la legitimidad y los recursos de un Estado con la lógica operativa del movimiento de resistencia. Tiene un ejército regular, misiles balísticos, una marina, instituciones reconocidas, es un Estado westfaliano en todos los sentidos. Y sin embargo, ha elegido deliberadamente la doctrina de la guerra partisana como estrategia soberana: saturación con armas económicas, desgaste, aceptación consciente de las pérdidas territoriales para hacer insostenible el costo para el adversario. No porque no pudiera hacerlo de otro modo, sino porque consideró que era la estrategia óptima contra una superioridad convencional aplastante.

Esta elección tiene una consecuencia económica devastadora para quien lo combate. Un dron Shahed cuesta veinte mil dólares. Un interceptor THAAD cuesta 12,7 millones. Irán lanzó en la primera semana de guerra quinientos misiles balísticos y casi dos mil drones. La matemática es implacable: la guerra pobre hace pagar un costo insostenible a la guerra rica: no en el campo de batalla, sino en las cadenas de suministro, en los presupuestos, en las reservas de interceptores que se agotan más rápido de lo que pueden producirse.

Pero la novedad más profunda no es militar: es estructural. Irán ha institucionalizado una contradicción que todos los movimientos de liberación han tenido que elegir: ser Estado o ser revolución. Argelia después de 1962 eligió ser estado y dejó de ser revolución. Cuba intentó ambas y fracasó. Irán no: ha construido deliberadamente una dualidad permanente. El ejército regular es el estado westfaliano. Los Pasdaran -los Guardianes de la Revolución- son la revolución permanente, con sus redes regionales, sus ramificaciones en Yemen, Irak, Líbano, todas unidas no por una ideología laica sino por una fe: el islam chií como identidad, memoria, trauma fundacional. No se elige ser chií como se elige ser comunista. Es familia, duelo, cuerpo. Karbala no es un evento histórico: es un paradigma cosmológico que se repite.

El resultado es un internacionalismo religioso que no es una alianza entre Estados, no es una Internacional leninista, sino una red transnacional unida por una gramática existencial común que no necesita un centro de mando explícito para coordinarse.

Y luego USA e Israel hicieron el regalo más grande: crearon el panteón. Soleimani, Nasrallah, Jameneí: cada eliminación selectiva que pensaban que resolvería un problema estratégico produjo un mártir que multiplica la cohesión de la red. En la teología chií, la muerte del líder justo a manos del opresor no es una derrota: es la confirmación de su justicia. Es la estructura narrativa de Karbala. Un general vivo puede equivocarse, puede decepcionar, puede envejecer. Un mártir es eterno y perfecto. Reescribieron, con sus misiles, el guion que la otra parte esperaba.

La República Islámica de Irán tiene como ideal la felicidad humana en toda la sociedad, y considera que el logro de la independencia, la libertad y el imperio de la justicia y la verdad es un derecho de todos los pueblos del mundo. En consecuencia, al tiempo que se abstiene escrupulosamente de toda forma de injerencia en los asuntos internos de otras naciones, apoya las luchas justas de los mustadhafoun (oprimidos) contra los mustakbirun (opresores/arrogantes) en cada rincón del mundo.

Constitución de la República Islámica de Irán, Capítulo 10, Artículo 154

Pero hay un último error, quizás el más grave. Israel golpeó los bancos de Hezbolá (el Instituto Al Qardh al-Hassan) y el banco iraní más grande (Bank Sepah). En el mundo chií jomeinista, el banco no es una institución financiera: es la infraestructura material de la teología. Es el mecanismo a través del cual se distribuye el zakat, se financian las obras de caridad, se mantiene el pacto con los mustadhafin, los más débiles, los oprimidos, los condenados de la tierra de Fanon. Jomeini construyó el consenso de la revolución sobre esta red capilar de solidaridad material. Golpearla no debilita la narrativa de la resistencia: la confirma. Demuestra, en la vida cotidiana de millones de pobres, quiénes son los enemigos de los débiles. Es la mejor propaganda posible, realizada por las propias bombas israelíes.

Resumiendo todo: se está combatiendo con la lógica de la guerra convencional -decapitar la estructura, cortar la financiación, destruir infraestructuras- una forma política que no es una estructura convencional. Es una red simbólica, social, militar y religiosa construida deliberadamente para ser indestructible precisamente a través de la destrucción. Cada bomba que cae fortalece la narrativa. Cada mártir consolida el panteón. Cada banco golpeado demuestra a los pobres de qué lado está el opresor.

Y si el Estado iraní fuera desmembrado o derrotado, los Pasdaran sin Estado -entrenados, armados, formados en una cultura del martirio que no depende de ninguna institución para sobrevivir- se distribuirían en una región que va desde el Líbano hasta Pakistán, desde Azerbaiyán hasta Bahréin, con ramificaciones en tres continentes. Ya no contenidos por ninguna estructura estatal, sin nada que perder, con mártires poderosísimos y una narrativa de resistencia más fuerte que antes. Un Estado iraní hostil es disuadible. Un enjambre de Pasdaran sin Estado no lo es.

Y mientras todo esto sucede, tres señales indican cuán profundamente esta guerra está escapando al control narrativo de quienes la desataron.

Turquía esperaba millones de refugiados iraníes huyendo de las bombas. Vio, en cambio, a miles de iraníes cruzando la frontera en dirección opuesta, para regresar a defender la patria. No necesariamente el régimen: Irán. La civilización persa de cuatro milenios que no se deja reducir a la ecuación “régimen igual a pueblo”. El nacionalismo herido produce lo que años de oposición política no logran construir.

Y luego está Gaza. Irán es atacado después de que el mundo presenciara durante meses el genocidio palestino transmitido en directo, documentado, negado por las cancillerías occidentales. Para los pobres de la tierra, para el Sur global, para cualquiera que se sienta del lado de los humillados, la secuencia es legible y brutal: quienes defendían a los palestinos son ahora bombardeados por los mismos que armaban a quienes los masacraban. Irán se ha convertido, en el imaginario global de los condenados, en algo que va mucho más allá de la política regional o la teología chií: es la promesa de que se puede resistir, es la venganza simbólica de quienes nunca tuvieron justicia. Esa solidaridad no tiene fronteras confesionales ni geográficas.

Finalmente, está China. Sus estrategas no están mirando la guerra: están realizando la evaluación más detallada posible de las capacidades reales usamericanas en condiciones de conflicto de alta intensidad. Cada interceptor THAAD disparado, cada Tomahawk lanzado, cada día de guerra es un dato sobre la resistencia logística e industrial del adversario que tendrán que enfrentar, un día, en el Pacífico. Ven cómo se agotan las reservas, cómo los tiempos de producción no siguen el ritmo del consumo, la cadena logística bajo presión. Están tomando notas. Y no necesitan luchar para ganar esta guerra: les basta con esperar a que USA se quede sin municiones.

Esta guerra no puede ganarse. Solo puede extenderse. Y el mundo lo sabe.

Plus ils le frappent, plus il devient fort : le paradoxe de l’Iran qui échappe à la stupidité impériale

Tahar Lamri, 16/3/2026

Il y a une catégorie qui manque dans le débat sur la guerre en cours contre l’Iran, et son absence explique pourquoi ceux qui la mènent continuent de tout rater.

L’Iran n’est pas un mouvement partisan comme le FLN algérien, qui était un front sans dogme unificateur - coalition de nationalistes, socialistes, communistes, conservateurs - maintenu par un seul objectif : chasser le colonisateur. Ce n’est pas le Nord-Vietnam, qui était un État sur une partie du territoire avec une doctrine exportable - le communisme - mais dépendant de Moscou et Pékin et géographiquement limité. Le Hamas, le Hezbollah, les Houthis sont des milices, des entités infranationales qui utilisent des tactiques de guérilla parce qu’elles n’ont pas d’alternative : leur asymétrie est contrainte, non choisie.

L’Iran est quelque chose de différent et d’historiquement nouveau : il représente le premier cas historique d’un État qui adopte structurellement la doctrine de la guerre partisane comme choix stratégique souverain, combinant la légitimité et les ressources d’un État avec la logique opérationnelle du mouvement de résistance. Il a une armée régulière, des missiles balistiques, une marine, des institutions reconnues, c’est un État westphalien à tous égards. Et pourtant, il a délibérément choisi la doctrine de la guerre partisane comme stratégie souveraine : saturation avec des armes économiques, attrition, acceptation consciente des pertes territoriales pour rendre le coût insoutenable pour l’adversaire. Non pas parce qu’il ne pouvait pas faire autrement, mais parce qu’il a jugé que c’était la stratégie optimale contre une supériorité conventionnelle écrasante.

Ce choix a une conséquence économique dévastatrice pour ceux qui le combattent. Un drone Shahed coûte vingt mille dollars. Un intercepteur THAAD coûte 12,7 millions de dollars. L’Iran a lancé dans la première semaine de guerre cinq cents missiles balistiques et près de deux mille drones. Les mathématiques sont impitoyables : la guerre pauvre fait payer un coût insoutenable à la guerre riche : non pas sur le champ de bataille, mais dans les chaînes d’approvisionnement, dans les budgets, dans les stocks d’intercepteurs qui s’épuisent plus vite qu’ils ne peuvent être produits.

Mais la nouveauté la plus profonde n’est pas militaire : elle est structurelle. L’Iran a institutionnalisé une contradiction que tous les mouvements de libération ont dû choisir : être État ou être révolution. L’Algérie après 1962 a choisi d’être État et a cessé d’être révolution. Cuba a tenté les deux et a échoué. L’Iran non : il a délibérément construit une dualité permanente. L’armée régulière, c’est l’État westphalien. Les Pasdaran - les Gardiens de la Révolution - sont la révolution permanente, avec leurs réseaux régionaux, leurs ramifications au Yémen, en Irak, au Liban, toutes unies non par une idéologie laïque mais par une foi : l’islam chiite comme identité, mémoire, traumatisme fondateur. On ne choisit pas d’être chiite comme on choisit d’être communiste. C’est la famille, le deuil, le corps. Kerbala n’est pas un événement historique : c’est un paradigme cosmologique qui se répète.

Le résultat est un internationalisme religieux qui n’est pas une alliance entre États, pas une Internationale léniniste, mais un réseau transnational maintenu par une grammaire existentielle commune qui n’a pas besoin d’un centre de commandement explicite pour se coordonner.

Et puis les USA et Israël lui ont fait le plus grand cadeau : ils ont créé le panthéon. Soleimani, Nasrallah, Khamenei : chaque élimination ciblée qu’ils croyaient résoudre un problème stratégique a produit un martyr qui multiplie la cohésion du réseau. Dans la théologie chiite, la mort du leader juste par la main de l’oppresseur n’est pas une défaite : c’est la confirmation de sa justice. C’est la structure narrative de Kerbala. Un général vivant peut se tromper, peut décevoir, peut vieillir. Un martyr est éternel et parfait. Ils ont réécrit, avec leurs missiles, le scénario que l’autre camp attendait.

La République islamique d’Iran a pour idéal le bonheur de l’humanité dans l’ensemble de la société humaine, et considère que l’accès à l’indépendance, à la liberté et à un régime fondé sur la justice et la vérité est un droit pour tous les peuples du monde. En conséquence, tout en s’abstenant scrupuleusement de toute forme d’ingérence dans les affaires intérieures des autres nations, elle soutient les luttes justes des mustadhafoun (opprimés) contre les mustakbirun (oppresseurs/arrogants) aux quatre coins du globe.

Constitution de la République islamique d’Iran, chapitre 10, article 154

Mais il y a une dernière erreur, peut-être la plus grave. Israël a frappé les banques du Hezbollah (l’institut Al Qardh al-Hassan) et la plus grande banque iranienne (Bank Sepah). Dans le monde chiite khomeiniste, la banque n’est pas un institut financier : c’est l’infrastructure matérielle de la théologie. C’est le mécanisme par lequel on distribue la zakat, on finance les œuvres caritatives, on maintient le pacte avec les moustadhafin, les plus faibles, les oppressés, les déshérités, les damnés de la terre de Fanon. Khomeini a construit le consensus de la révolution sur ce réseau capillaire de solidarité matérielle. La frapper n’affaiblit pas le récit de la résistance : elle le confirme. Elle démontre, dans la vie quotidienne de millions de pauvres, qui sont les ennemis des faibles. C’est la meilleure propagande possible, réalisée par les bombes israéliennes elles-mêmes.

En rassemblant tout cela : on combat avec la logique de la guerre conventionnelle - décapiter la structure, couper les financements, détruire les infrastructures - une forme politique qui n’est pas une structure conventionnelle. C’est un réseau symbolique, social, militaire et religieux délibérément construit pour être indestructible précisément à travers la destruction. Chaque bombe qui tombe renforce le récit. Chaque martyr consolide le panthéon. Chaque banque frappée montre aux pauvres de quel côté se trouve l’oppresseur.

Et si l’État iranien devait être démembré ou vaincu, les Pasdaran sans État - entraînés, armés, formés dans une culture du martyre qui ne dépend d’aucune institution pour survivre - se répartiraient dans une région qui va du Liban au Pakistan, de l’Azerbaïdjan au Bahreïn, avec des ramifications sur trois continents. N’étant plus contenus par aucune structure étatique, sans rien à perdre, avec des martyrs très puissants et un récit de résistance plus fort qu’avant. Un État iranien hostile peut être dissuadé. Un essaim de Pasdaran sans État ne le peut pas.

Et pendant que tout cela se produit, trois signaux disent à quel point cette guerre échappe profondément au contrôle narratif de ceux qui l’ont déclenchée.

La Turquie s’attendait à des millions de réfugiés iraniens fuyant les bombes. Elle a plutôt vu des milliers d’Iraniens traverser la frontière dans la direction opposée, pour rentrer défendre la patrie. Pas nécessairement le régime : l’Iran. La civilisation perse de quatre millénaires qui ne se laisse pas réduire à l’équation « régime égal peuple ». Le nationalisme blessé produit ce que des années d’opposition politique n’arrivent pas à construire.

Et puis il y a Gaza. L’Iran est attaqué après que le monde a assisté pendant des mois au génocide palestinien diffusé en direct, documenté, nié par les chancelleries occidentales. Pour les pauvres de la terre, pour le Sud global, pour quiconque se sent du côté des humiliés, la séquence est lisible et brutale : ceux qui défendaient les Palestiniens sont maintenant bombardés par les mêmes qui armaient ceux qui les massacraient. L’Iran est devenu, dans l’imaginaire global des damnés, quelque chose qui va bien au-delà de la politique régionale ou de la théologie chiite : c’est la promesse qu’on peut résister, c’est la vengeance symbolique de ceux qui n’ont jamais eu justice. Cette solidarité n’a pas de frontières confessionnelles ni géographiques.

Enfin, il y a la Chine. Ses stratèges ne regardent pas la guerre : ils mènent l’évaluation la plus détaillée possible des capacités réelles usaméricaines dans des conditions de conflit à haute intensité. Chaque intercepteur THAAD tiré, chaque Tomahawk lancé, chaque jour de guerre est une donnée sur la tenue logistique et industrielle de l’adversaire qu’ils devront affronter, un jour, dans le Pacifique. Ils voient les stocks s’épuiser, les délais de production qui ne suivent pas la consommation, la chaîne logistique sous pression. Ils prennent des notes. Et ils n’ont pas besoin de se battre pour gagner cette guerre : il leur suffit d’attendre que l’Amérique finisse ses munitions.

Cette guerre ne peut pas être gagnée. Elle ne peut qu’être élargie. Et le monde le sait.

Più lo colpiscono, più diventa forte: il paradosso dell’Iran che sfugge alla stupidità imperiale


Tahar Lamri, 16/3/2026

C’è una categoria che manca nel dibattito sulla guerra in corso contro l’Iran, e la sua assenza spiega perché chi la combatte continua a sbagliare tutto.

L’Iran non è un movimento partigiano come l’FLN algerino, che era un fronte senza dogma unificante - coalizione di nazionalisti, socialisti, comunisti, conservatori - tenuto insieme da un unico obiettivo: cacciare il colonizzatore. Non è il Vietnam del Nord, che era uno stato su una parte del territorio con una dottrina esportabile - il comunismo - ma dipendente da Mosca e Pechino e limitato geograficamente. Hamas, Hezbollah, gli Houthi sono milizie, entità subnazionali che usano tattiche di guerriglia perché non hanno alternativa: la loro asimmetria è coatta, non scelta.

L’Iran è qualcosa di diverso e di storicamente nuovo: rappresenta il primo caso storico di stato che adotta strutturalmente la dottrina della guerra partigiana come scelta strategica sovrana, combinando la legittimità e le risorse di uno stato con la logica operativa del movimento di resistenza. Ha un esercito regolare, missili balistici, una marina, istituzioni riconosciute, è uno stato westfaliano a tutti gli effetti. E tuttavia ha scelto deliberatamente la dottrina della guerra partigiana come strategia sovrana: saturazione con armi economiche, logoramento, accettazione consapevole delle perdite territoriali pur di rendere insostenibile il costo per l’avversario. Non perché non potesse fare altrimenti, ma perché ha valutato che fosse la strategia ottimale contro una superiorità convenzionale schiacciante.

Questa scelta ha una conseguenza economica devastante per chi lo combatte. Un drone Shahed costa ventimila dollari. Un intercettore THAAD costa 12,7 milioni. L’Iran ha lanciato nella prima settimana di guerra cinquecento missili balistici e quasi duemila droni. La matematica è impietosa: la guerra povera fa pagare un costo insostenibile alla guerra ricca: non sul campo di battaglia, ma nelle catene di fornitura, nei bilanci, nelle scorte di intercettori che si esauriscono più velocemente di quanto possano essere prodotti.

Ma la novità più profonda non è militare: è strutturale. L’Iran ha istituzionalizzato una contraddizione che tutti i movimenti di liberazione hanno dovuto scegliere essere stato o essere rivoluzione. L’Algeria dopo il 1962 scelse di essere stato e smise di essere rivoluzione. Cuba tentò entrambe e fallì. L’Iran no: ha costruito deliberatamente una dualità permanente. L’esercito regolare è lo stato westfaliano. I Pasdaran - le Guardie della Rivoluzione - sono la rivoluzione permanente, con le loro reti regionali, le loro ramificazioni in Yemen, Iraq, Libano, tutte accomunate non da un’ideologia laica ma da una fede: l’Islam sciita come identità, memoria, trauma fondativo. Non si sceglie di essere sciiti come si sceglie di essere comunisti. È famiglia, lutto, corpo. Karbala non è un evento storico: è un paradigma cosmologico che si ripete.

Il risultato è un internazionalismo religioso che non è un’alleanza tra stati, non è un’Internazionale leninista, ma una rete transnazionale tenuta insieme da una grammatica esistenziale comune che non ha bisogno di un centro di comando esplicito per coordinarsi.

E poi Stati Uniti e Israele hanno fatto il regalo più grande: hanno creato il pantheon. Soleimani, Nasrallah, Khamenei: ogni eliminazione mirata che pensavano risolvesse un problema strategico ha prodotto un martire che moltiplica la coesione della rete. Nella teologia sciita la morte del leader giusto per mano dell’oppressore non è una sconfitta: è la conferma della sua giustizia. È la struttura narrativa di Karbala. Un generale vivo può sbagliare, può deludere, può invecchiare. Un martire è eterno e perfetto. Hanno riscritto, con i loro missili, il copione che l’altra parte aspettava.

La Repubblica Islamica dell’Iran ha come ideale la felicità umana in tutta la società e ritiene che il raggiungimento dell’indipendenza, della libertà e del regno della giustizia e della verità sia un diritto di tutti i popoli del mondo. Di conseguenza, pur astenendosi scrupolosamente da ogni forma di interferenza negli affari interni delle altre nazioni, sostiene le giuste lotte dei mustadhafoun (oppressi) contro i mustakbirun (oppressori/arroganti) in ogni angolo del globo.

Costituzione della Repubblica Islamica dell’Iran, Capitolo 10, Articolo 154

Ma c’è un ultimo errore, forse il più grave. Israele ha colpito le banche di Hezbollah (L’istituto Al Qardh al-Hassan) e la più grande banca iraniana (Bank Sepah). Nel mondo sciita khomeinista la banca non è un istituto finanziario: è l’infrastruttura materiale della teologia. È il meccanismo attraverso cui si distribuisce la zakat, si finanziano le opere caritative, si mantiene il patto con i mustazaafin, i più deboli, gli oppressi, i dannati della terra di Fanon. Khomeini costruì il consenso della rivoluzione su questa rete capillare di solidarietà materiale. Colpirla non indebolisce la narrativa della resistenza: la conferma. Dimostra, nella vita quotidiana di milioni di poveri, chi sono i nemici dei deboli. È la migliore propaganda possibile, realizzata dalle bombe israeliane stesse.

Mettendo tutto insieme: si sta combattendo con la logica della guerra convenzionale - decapita la struttura, taglia i finanziamenti, distruggi le infrastrutture - una forma politica che non è una struttura convenzionale. È una rete simbolica, sociale, militare e religiosa volutamente costruita per essere indistruttibile proprio attraverso la distruzione. Ogni bomba che cade rafforza la narrativa. Ogni martire consolida il pantheon. Ogni banca colpita dimostra ai poveri da che parte sta l’oppressore.

E se lo stato iraniano dovesse essere smembrato o sconfitto, i Pasdaran senza stato - addestrati, armati, formati in una cultura del martirio che non dipende da nessuna istituzione per sopravvivere - si distribuirebbero in una regione che va dal Libano al Pakistan, dall’Azerbaijan al Bahrain, con ramificazioni in tre continenti. Non più contenuti da nessuna struttura statale, senza niente da perdere, con martiri potentissimi e una narrativa di resistenza più forte di prima. Uno stato iraniano ostile è deterribile. Uno sciame di Pasdaran senza stato non lo è.

E mentre tutto questo accade, tre segnali dicono quanto profondamente questa guerra stia sfuggendo al controllo narrativo di chi l’ha scatenata.

La Turchia si aspettava milioni di rifugiati iraniani in fuga dalle bombe. Ha visto invece migliaia di iraniani che attraversano il confine in direzione opposta, per rientrare a difendere la patria. Non necessariamente il regime: l’Iran. La civiltà persiana di quattro millenni che non si lascia ridurre all’equazione "regime uguale popolo". Il nazionalismo ferito produce ciò che anni di opposizione politica non riescono a costruire.

E poi c’è Gaza. L’Iran viene attaccato dopo che il mondo ha assistito per mesi al genocidio palestinese trasmesso in diretta, documentato, negato dalle cancellerie occidentali. Per i poveri della terra, per il Sud globale, per chiunque si senta dalla parte degli umiliati, la sequenza è leggibile e brutale: chi difendeva i palestinesi viene ora bombardato dagli stessi che armavano chi li massacrava. L’Iran è diventato, nell’immaginario globale dei dannati, qualcosa che va ben oltre la politica regionale o la teologia sciita: è la promessa che si può resistere, è la vendetta simbolica di chi non ha mai avuto giustizia. Quella solidarietà non ha confini confessionali né geografici.

Infine, c’è la Cina. I suoi strateghi non stanno guardando la guerra: stanno conducendo la più dettagliata valutazione possibile delle capacità reali americane in condizioni di conflitto ad alta intensità. Ogni intercettore THAAD sparato, ogni Tomahawk lanciato, ogni giorno di guerra è un dato sulla tenuta logistica e industriale dell’avversario che dovranno affrontare, un giorno, nel Pacifico. Vedono le scorte esaurirsi, i tempi di produzione che non reggono il consumo, la catena logistica sotto pressione. Stanno prendendo appunti. E non hanno bisogno di combattere per vincere questa guerra: gli basta aspettare che l’America finisca le munizioni.

Questa guerra non può essere vinta. Può solo essere allargata. E il mondo lo sa.