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“Smart and to the point” : Questions que se pose un vieil ouvrier qui lit et écrit
7 variations brechtiennes sur la solution finale de Volkswagen

„Smart and to the point“: Fragen eines alten lesenden und schreibenden Arbeiters
7 Brecht’sche Variationen über die „Endlösung“ von Volkswagen

“Smart and to the point”: Questions asked by an old worker who reads and writes
7 Brechtian variations on Volkswagen's final solution

“Smart and to the point”: Preguntas de un viejo obrero que lee y escribe
7 variaciones brechtianas sobre la solución final de Volkswagen

“Smart and to the point”: Domande di un vecchio operaio che legge e scrive
7 variazioni brechtiane sulla soluzione finale della Volkswagen

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18/03/2026

Quanto mais o golpeiam, mais forte ele fica: o paradoxo do Irã que escapa à estupidez imperial

Tahar Lamri, 16/3/2026

Há uma categoria que falta no debate sobre a guerra em curso contra o Irã, e sua ausência explica por que aqueles que a combatem continuam errando tudo.

O Irã não é um movimento de partisans como a FLN argelina, que era uma frente sem dogma unificador - coalizão de nacionalistas, socialistas, comunistas, conservadores - mantida unida por um único objetivo: expulsar o colonizador. Não é o Vietnã do Norte, que era um estado numa parte do território com uma doutrina exportável - o comunismo - mas dependente de Moscou e Pequim e geograficamente limitado. Hamas, Hezbollah, os Houthis são milícias, entidades subnacionais que usam táticas de guerrilha porque não têm alternativa: sua assimetria é forçada, não escolhida.

O Irã é algo diferente e historicamente novo: representa o primeiro caso histórico de um estado que adota estruturalmente a doutrina da guerra de partisans como escolha estratégica soberana, combinando a legitimidade e os recursos de um estado com a lógica operacional do movimento de resistência. Tem um exército regular, mísseis balísticos, uma marinha, instituições reconhecidas, é um estado westfaliano em todos os aspectos. E no entanto, escolheu deliberadamente a doutrina da guerra de partisans como estratégia soberana: saturação com armas econômicas, desgaste, aceitação consciente das perdas territoriais para tornar o custo insustentável para o adversário. Não porque não pudesse fazer de outra forma, mas porque avaliou que era a estratégia ótima contra uma superioridade convencional esmagadora.

Essa escolha tem uma consequência econômica devastadora para quem o combate. Um drone Shahed custa vinte mil dólares. Um interceptador THAAD custa 12,7 milhões de dólares. O Irã lançou na primeira semana de guerra quinhentos mísseis balísticos e quase dois mil drones. A matemática é impiedosa: a guerra pobre faz a guerra rica pagar um custo insustentável: não no campo de batalha, mas nas cadeias de suprimentos, nos orçamentos, nos estoques de interceptadores que se esgotam mais rápido do que podem ser produzidos.

Mas a novidade mais profunda não é militar: é estrutural. O Irã institucionalizou uma contradição que todos os movimentos de libertação tiveram que escolher: ser estado ou ser revolução. A Argélia depois de 1962 escolheu ser estado e deixou de ser revolução. Cuba tentou ambas e falhou. O Irã não: construiu deliberadamente uma dualidade permanente. O exército regular é o estado westfaliano. Os Pasdaran - os Guardas da Revolução - são a revolução permanente, com suas redes regionais, suas ramificações no Iêmen, Iraque, Líbano, todas unidas não por uma ideologia laica mas por uma fé: o islamismo xiita como identidade, memória, trauma fundador. Não se escolhe ser xiita como se escolhe ser comunista. É família, luto, corpo. Karbala não é um evento histórico: é um paradigma cosmológico que se repete.

O resultado é um internacionalismo religioso que não é uma aliança entre estados, não é uma Internacional leninista, mas uma rede transnacional mantida unida por uma gramática existencial comum que não precisa de um centro de comando explícito para se coordenar.

E então EUA e Israel fizeram o maior presente: criaram o panteão. Soleimani, Nasrallah, Khamenei: cada eliminação direcionada que pensavam resolver um problema estratégico produziu um mártir que multiplica a coesão da rede. Na teologia xiita, a morte do líder justo pelas mãos do opressor não é uma derrota: é a confirmação de sua justiça. É a estrutura narrativa de Karbala. Um general vivo pode errar, pode decepcionar, pode envelhecer. Um mártir é eterno e perfeito. Reescreveram, com seus mísseis, o roteiro que o outro lado esperava.

A República Islâmica do Irã tem como ideal a felicidade humana em toda a sociedade e considera que a conquista da independência, da liberdade e do império da justiça e da verdade é um direito de todos os povos do mundo. Consequentemente, ao mesmo tempo em que se abstém escrupulosamente de qualquer forma de ingerência nos assuntos internos de outras nações, apoia as lutas justas dos mustadhafoun (oprimidos) contra os mustakbirun (opressores/arrogantes) em todos os cantos do mundo.

Constituição da República Islâmica do Irã, Capítulo 10, Artigo 154

Mas há um último erro, talvez o mais grave. Israel atingiu os bancos do Hezbollah (o Instituto Al Qardh al-Hassan) e o maior banco iraniano (Bank Sepah). No mundo xiita khomeinista, o banco não é uma instituição financeira: é a infraestrutura material da teologia. É o mecanismo através do qual se distribui o zakat, se financiam as obras de caridade, se mantém o pacto com os mustazaafin, os mais fracos, os oprimidos, os condenados da terra de Fanon. Khomeini construiu o consenso da revolução sobre esta rede capilar de solidariedade material. Atingi-la não enfraquece a narrativa da resistência: a confirma. Demonstra, na vida cotidiana de milhões de pobres, quem são os inimigos dos fracos. É a melhor propaganda possível, realizada pelas próprias bombas israelenses.

Juntando tudo: está-se combatendo com a lógica da guerra convencional - decapitar a estrutura, cortar o financiamento, destruir infraestruturas - uma forma política que não é uma estrutura convencional. É uma rede simbólica, social, militar e religiosa deliberadamente construída para ser indestrutível precisamente através da destruição. Cada bomba que cai fortalece o narrativa. Cada mártir consolida o panteão. Cada banco atingido mostra aos pobres de que lado está o opressor.

E se o estado iraniano for desmembrado ou derrotado, os Pasdaran sem estado - treinados, armados, formados numa cultura do martírio que não depende de nenhuma instituição para sobreviver - espalhar-se-iam por uma região que vai do Líbano ao Paquistão, do Azerbaijão ao Bahrein, com ramificações em três continentes. Não mais contidos por nenhuma estrutura estatal, sem nada a perder, com mártires poderosíssimos e uma narrativa de resistência mais forte do que antes. Um estado iraniano hostil é dissuadível. Um enxame de Pasdaran sem estado não o é.

E enquanto tudo isso acontece, três sinais dizem o quão profundamente esta guerra está escapando ao controle narrativo de quem a desencadeou.

A Turquia esperava milhões de refugiados iranianos fugindo das bombas. Viu, em vez disso, milhares de iranianos cruzando a fronteira na direção oposta, para regressar a defender a pátria. Não necessariamente o regime: o Irã. A civilização persa de quatro milênios que não se deixa reduzir à equação “regime igual a povo”. O nacionalismo ferido produz o que anos de oposição política não conseguem construir.

E depois há Gaza. O Irã é atacado depois que o mundo assistiu durante meses ao genocídio palestino transmitido ao vivo, documentado, negado pelas chancelarias ocidentais. Para os pobres da terra, para o Sul global, para qualquer um que se sinta do lado dos humilhados, a sequência é legível e brutal: quem defendia os palestinos é agora bombardeado pelos mesmos que armavam quem os massacrava. O Irã tornou-se, no imaginário global dos condenados, algo que vai muito além da política regional ou da teologia xiita: é a promessa de que se pode resistir, é a vingança simbólica de quem nunca teve justiça. Essa solidariedade não tem fronteiras confessionais nem geográficas.

Finalmente, há a China. Seus estrategistas não estão olhando para a guerra: estão conduzindo a mais detalhada avaliação possível das capacidades reais euamericanas em condições de conflito de alta intensidade. Cada interceptador THAAD disparado, cada Tomahawk lançado, cada dia de guerra é um dado sobre a resistência logística e industrial do adversário que terão que enfrentar, um dia, no Pacífico. Veem os estoques se esgotarem, os tempos de produção não acompanharem o consumo, a cadeia logística sob pressão. Estão tomando notas. E não precisam lutar para ganhar esta guerra: basta-lhes esperar que a EUAmérica fique sem munições.

Esta guerra não pode ser vencida. Só pode ser alargada. E o mundo sabe disso.

17/03/2026

O ataque ao Irão provoca dissensão nas Forças Aramadas dos EUA. O que virá a seguir?



John Catalinottoworkers world, 13/3/2026
Traduzido por Mudar de vida

A batalha que começou com o ataque não provocado da máquina de guerra EUA-Israel contra o Irão, em 28 de fevereiro, expandiu-se nos seus primeiros 11 dias para uma conflagração regional e está a avançar a uma velocidade sem controlo rumo a uma guerra mundial.

A organização Veteranos pela Paz oferece assistência a soldados dissidentes

Activistas pacifistas e anti-imperialistas nos Estados Unidos — nas entranhas do monstro — têm o dever especial de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para deter esta guerra. E há uma área em que eles estão na melhor posição para agir: entrar em contacto com membros das forças armadas usamericanas.

O primeiro ponto a deixar claro ao planear essa luta é que a classe dominante super-rica dos Estados Unidos e os regimes reaccionários racistas que comandam os estados opressores, tanto os EUA como Israel, são os criminosos responsáveis ​​pelas consequências terríveis da guerra. O movimento pacifista deve expor esses crimes e procurar desmantelar a máquina de guerra desses criminosos.

Apoio popular mínimo à guerra nos EUA

Comparada com as últimas seis longas guerras de agressão dos EUA – Coreia, Vietname, Iraque (1991), Jugoslávia, Afeganistão e Iraque (2003) – esta potencial “guerra sem fim” contra o Irão é a que enfrenta maior oposição interna. A guerra contra o Irão começou com bombas e foguetes americanos que mataram mais de 150 estudantes na cidade de Minab, e com o assassinato, por Israel, do líder político e religioso supremo do Irão, o aiatolá Ali Hosseini Khamenei, em 28 de fevereiro.

Antes de desencadear a conflagração, o regime MAGA não fez nenhum esforço para obter apoio para a agressão, nem entre o povo, nem no Congresso, nem buscando aliados internacionais além dos criminosos genocidas que administram o estado colonialista israelita. O regime contava com as grandes mentiras de décadas que demonizavam o Irão.

Desde o massacre inicial em Minab, que lembra o incêndio da aldeia de My Lai no Vietname em 1968, cada bajulador do governo MAGA e o impopular presidente dos EUA têm dado explicações contraditórias sobre como a guerra começou, quanto tempo durará, se haverá envio de tropas terrestres e qual o objectivo. As suas mentiras contraditórias só fizeram diminuir a sua credibilidade.

Mesmo antes de serem relatadas extensas baixas entre as tropas usamericanas, mesmo antes de o custo militar diário de mil milhões de dólares desta “guerra de opção” EUA-Israel se tornar evidente (csis.org), mesmo antes de a guerra desencadear um desastre económico mundial, a maioria da população dos EUA opõe-se à “guerra sem fim” que o governo desencadeou.

Uma população que rejeita a guerra pode ser mobilizada para lutar contra ela, assim como o povo de Minneapolis rejeitou os maus-tratos brutais e os assassinatos de migrantes, e os aliados dos migrantes rejeitaram a presença dos agentes do ICE.

Se os civis se opõem à guerra, isso significa que as tropas podem recusar-se a obedecer a ordens ilegais. Reservistas e soldados no activo são trabalhadores fardados. Eles reflectem as atitudes dos seus pares civis – mas com as vidas e integridade física em risco.

Os soldados dos EUA oporão resistência à guerra?

Durante a invasão usamericana do Vietname, a resistência das tropas em travar combate contribuiu para a decisão de 1969 de retirar gradualmente o contingente usamericano do Vietname e de passar a depender de bombardeamentos. Também levou ao fim do recrutamento militar obrigatório no início de 1973 e à decisão do Pentágono de criar, nas décadas seguintes, um exército altamente tecnológico e sem recrutamento obrigatório.

Mesmo dentro dos militares não recrutados [voluntários], alguns recusaram-se a lutar no Iraque e no Afeganistão, embora em menor número do que no período do Vietname. Após muitos custos, mortes e destruição, as tropas usamericanas foram forçadas a retirar-se das “guerras intermináveis”.

Um livro de 2017 sobre a resistência dos soldados (Turn the Guns Around: Mutinies, Soldier Revolts and Revolutions [Virando as Armas: Motins, Revoltas de Soldados e Revoluções)  discute como os EUA não conseguem mobilizar um exército de terra grande o suficiente para conquistar o Sul Global sem gerar oposição interna e resistência entre as tropas. O livro dá exemplos de guerras de agressão dos EUA que podem levar à rebelião dos soldados: uma que os EUA iniciem contra “a Rússia, a China ou mesmo o Irã ou a [República Popular Democrática da Coreia]”, ou se “o presidente ordenar que as tropas federais reprimam greves de trabalhadores ou rebeliões em comunidades de minorias étnicas dentro dos EUA”.

E esse é exactamente o cenário actual, de Teerão a Minneapolis.

Se o regime MAGA ordenar a entrada de tropas terrestres usamericanas no Irão, não há dúvidas de que os 93 milhões de iranianos defenderão a sua civilização de 5.000 anos, uma resistência histórica que os governantes dos EUA subestimam. Na intervenção militar em cidades usamericanas, os cidadãos de Los Angeles, Chicago, Minneapolis e outras cidades mostraram como a solidariedade da classe trabalhadora pode surpreender os senhores da guerra de Washington.

É difícil imaginar a fúria popular caso o regime MAGA tentasse reinstaurar o serviço militar obrigatório, o odiado recrutamento. Jovens na Alemanha estão actualmente a protestar contra planos semelhantes do imperialismo alemão.

Greve escolar na Alemanha contra o serviço militar obrigatório, 5 de março de 2026. “A juventude reage” e “Os ricos querem a guerra, a juventude quer um futuro” em cartazes feitos à mão.

Já existem indícios de que o Pentágono registrou baixas muito além dos sete soldados usamericanos oficialmente reconhecidos como mortos em combate. O facto de o principal hospital militar dos EUA em Landstuhl, na Alemanha, já ter cancelado os serviços de assistência ao parto (Military Times5 de março) demonstra que o Pentágono prevê um número muito maior de baixas usamericanas.

Organizações de veteranos pacifistas, como a Veteranos pela Paz e outras, entraram em contacto com militares no activo, oferecendo apoio a objectores de consciência. Um líder do Centro sobre Consciência e Guerra afirmou que os seus telefones não param de tocar desde o início da guerra EUA-Israel contra o Irão.

Um anúncio feito há alguns meses por seis congressistas democratas, afirmando que as tropas têm o dever de desobedecer a ordens ilegais, já se espalhou entre os soldados. Quaisquer que sejam os motivos desses representantes eleitos, todos veteranos das forças armadas ou da CIA, ninguém pode reverter essa situação.

Os belicistas do MAGA podem descobrir que a sua agressão contra o Irão apenas acelerou o declínio do imperialismo usamericano.