📌Editorial da União Palestina da América Latina - UPALGaza Depois do Fogo: Reconstrução ou Reconfiguração Forçada?(em português, inglês, espanhol, francês e árabe)
Com
o anúncio do início da segunda fase do cessar-fogo, tenta-se apresentar
Gaza como se estivesse entrando em uma nova etapa: uma administração
palestina tecnocrática e de transição, reconstrução, calma e um discurso
regional e internacional que sugere o encerramento do capítulo da
guerra. No entanto, a realidade demonstra que este não é um processo
genuíno de recuperação política e humanitária, mas sim uma nova forma de
gerir a crise.
Israel afirma isso com absoluta
clareza: não haverá retirada completa, nem abertura total das passagens
de fronteira, nem reconstrução antes do desarmamento da resistência. Em
outras palavras, a intenção é implementar o acordo a partir do seu fim.
Para Israel, a segunda fase não é política, mas estritamente uma questão
de segurança: desmantelar a resistência, mantendo o direito de intervir
militarmente quando julgar necessário, sem prazos ou garantias para o
levantamento do bloqueio.
Nesse contexto, não há
disposição para reconhecer a genuína soberania palestina. O que se
propõe é uma administração de serviços palestina, subordinada ao
controle israelense. Assim, a reconstrução deixa de ser uma obrigação
ética e humanitária e se torna um instrumento de pressão e chantagem
política, onde a vida cotidiana é garantida em troca da renúncia aos
direitos nacionais.
A posição americana, apesar de
sua linguagem “moderada”, não difere em essência da israelense.
Reconstrução, retirada e qualquer solução política são condicionadas ao
desarmamento da resistência, como se a Palestina não fosse um povo sob
ocupação, mas um problema de segurança. Nesse contexto, ressurgem
fórmulas de tutela internacional ou “estabilidade”, que na prática
significam a transição da ocupação direta para uma administração
internacional sob a hegemonia americana e a lógica sionista, adiando
mais uma vez a soberania palestina.
E o que isso significa para Gaza?
Significa
ajuda humanitária limitada, uma reativação parcial da vida e melhorias
nos serviços, em troca de uma paralisia política total: nenhum Estado,
nenhuma soberania e nenhuma visão nacional. Gaza está passando de uma
guerra aberta para uma trégua frágil, perpetuamente suscetível a
colapsos, com a constante ameaça de novas agressões.
Gaza
precisa de mais do que apenas cimento e aço. Precisa de uma visão
política clara e de garantias reais de que o sangue de seus mártires não
se tornará uma mera moeda de troca em negociações de segurança.
Será esta segunda fase um caminho para a recuperação e uma paz justa?
Ou um novo mecanismo para gerir a crise e remodelar Gaza pela força, após o fracasso da subjugação militar?
União Palestina da América Latina – UPAL
16 de janeiro de 2026
Editorial from the Palestinian Union of Latin America - UPALGaza After the Fire: Reconstruction or Forced Reconfiguration?
With
the announced start of the second phase of the ceasefire, an attempt is
being made to present Gaza as if it were entering a new stage: a
technocratic and transitional Palestinian administration,
reconstruction, calm, and a regional and international discourse that
suggests the closing of the chapter on war. However, reality
demonstrates that this is not a genuine process of political and
humanitarian recovery, but rather a new way of managing the crisis.
Israel
states this with absolute clarity: there will be no complete
withdrawal, no full opening of the border crossings, and no
reconstruction before the disarmament of the resistance. In other words,
the intention is to implement the agreement starting from its end. For
Israel, the second phase is not political, but strictly a matter of
security: dismantling the resistance while maintaining the right to
intervene militarily when it deems necessary, without timelines or
guarantees for lifting the blockade.
Within this
framework, there is no willingness to recognize genuine Palestinian
sovereignty. What is being proposed is a Palestinian service
administration, subordinate to Israeli control. Thus, reconstruction
ceases to be an ethical and humanitarian obligation and becomes an
instrument of pressure and political blackmail, where daily life is
granted in exchange for relinquishing national rights.
The
American position, despite its “moderate” language, does not differ in
essence from the Israeli one. Reconstruction, withdrawal, and any
political solution are conditioned on the disarmament of the resistance,
as if Palestine were not a people under occupation, but a security
problem. In this context, formulas of international tutelage or
“stability” reappear, which in practice mean moving from direct
occupation to international administration under American hegemony and
Zionist logic, postponing Palestinian sovereignty once again.
And what does this mean for Gaza?
It
means limited humanitarian aid, a partial reactivation of life, and
improvements in services, in exchange for total political paralysis: no
state, no sovereignty, and no national vision. Gaza is transitioning
from open war to a fragile truce, perpetually susceptible to collapse,
with the constant threat of renewed aggression.
Gaza
needs more than just cement and steel. It needs a clear political
vision and real guarantees that the blood of its martyrs will not become
a mere bargaining chip in security negotiations.
Will this second phase be a path toward recovery and a just peace?
Or a new mechanism for managing the crisis and reshaping Gaza by force, after the failure of military subjugation?
Palestinian Union of Latin America – UPAL
January 16, 2026
📌Editorial de la Unión Palestina de América Latina - UPALGaza después del fuego: ¿reconstrucción o reconfiguración forzada?
Con
el inicio anunciado de la segunda fase del alto el fuego, se intenta
presentar a Gaza como si estuviera entrando en una nueva etapa: una
administración palestina tecnócrata y transitoria, reconstrucción, calma
y un discurso regional e internacional que sugiere el cierre del
capítulo de la guerra. Sin embargo, la realidad demuestra que no se
trata de un verdadero proceso de recuperación política y humanitaria,
sino de una nueva forma de administrar la crisis.
Israel
lo dice con total claridad: no habrá retirada completa, ni apertura
total de los pasos fronterizos, ni reconstrucción antes del desarme de
la resistencia. Es decir, se pretende aplicar el acuerdo comenzando por
su final. Para Israel, la segunda fase no es política, sino
estrictamente de seguridad: desmantelar la resistencia manteniendo el
derecho a intervenir militarmente cuando lo considere necesario, sin
calendarios ni garantías para levantar el bloqueo.
En
este marco, no existe voluntad de reconocer una soberanía palestina
real. Lo que se propone es una administración palestina de servicios,
subordinada al control israelí. Así, la reconstrucción deja de ser una
obligación ética y humanitaria para convertirse en un instrumento de
presión y chantaje político, donde la vida cotidiana se concede a cambio
de renunciar a los derechos nacionales.
La postura
estadounidense, pese a su lenguaje “moderado”, no difiere en esencia de
la israelí. Reconstrucción, retirada y cualquier solución política
quedan condicionadas al desarme de la resistencia, como si Palestina no
fuera un pueblo bajo ocupación, sino un problema de seguridad. En este
contexto reaparecen fórmulas de tutela internacional o de “estabilidad”,
que en la práctica significan pasar de una ocupación directa a una
administración internacional bajo hegemonía estadounidense y lógica
sionista, posponiendo una vez más la soberanía palestina.
¿Y qué significa esto para Gaza?
Significa
ayuda humanitaria limitada, una reactivación parcial de la vida y
mejoras de servicios, a cambio de una parálisis política total: sin
Estado, sin soberanía y sin horizonte nacional. Gaza pasa de una guerra
abierta a una tregua frágil, permanentemente susceptible de estallar,
con la amenaza constante del retorno de la agresión.
Gaza
no necesita solo cemento y acero. Necesita un horizonte político claro y
garantías reales de que la sangre de sus mártires no se convierta en
una simple variable dentro de negociaciones de seguridad.
¿Será la segunda fase un camino hacia la recuperación y una paz justa?
¿O un nuevo mecanismo para administrar la crisis y reconfigurar Gaza por la fuerza, tras el fracaso de someterla militarmente?
Unión Palestina de América Latina – UPAL
16 de enero de 2026
📌Éditorial de l’Union palestinienne d’Amérique latine (UPAL)Gaza après le feu : reconstruction ou reconfiguration forcée ?
Avec
l’annonce du lancement de la deuxième phase du cessez-le-feu, on tente
de présenter Gaza comme entrant dans une nouvelle ère : une
administration palestinienne technocratique et transitoire, la
reconstruction, le calme et un discours régional et international
suggérant la fin de la guerre. Or, la réalité démontre qu’il ne s’agit
pas d’un véritable processus de redressement politique et humanitaire,
mais plutôt d’une nouvelle manière de gérer la crise.
Israël
l’affirme avec une clarté absolue : il n’y aura ni retrait complet, ni
réouverture totale des points de passage frontaliers, ni reconstruction
avant le désarmement de la résistance. Autrement dit, l’intention est
d’appliquer l’accord en commençant par sa fin. Pour Israël, cette
deuxième phase n’est pas politique, mais strictement sécuritaire :
démanteler la résistance tout en se réservant le droit d’intervenir
militairement lorsqu’il le juge nécessaire, sans calendrier ni garanties
pour la levée du blocus.
Dans ce contexte, aucune
volonté de reconnaître une véritable souveraineté palestinienne n’est
envisagée. Ce qui est proposé, c’est une administration palestinienne
des services, subordonnée au contrôle israélien. Ainsi, la
reconstruction cesse d’être une obligation éthique et humanitaire pour
devenir un instrument de pression et de chantage politique, où la survie
quotidienne est garantie en échange de l’abandon des droits nationaux.
La
position américaine, malgré son langage « modéré », ne diffère pas
fondamentalement de la position israélienne. La reconstruction, le
retrait et toute solution politique sont conditionnés par le désarmement
de la résistance, comme si la Palestine n’était pas un peuple sous
occupation, mais un problème de sécurité. Dans ce contexte, les formules
de tutelle internationale ou de « stabilité » refont surface, ce qui
signifie en pratique passer de l’occupation directe à une administration
internationale sous l’hégémonie américaine et la logique sioniste,
reportant une fois de plus la souveraineté palestinienne.
Et qu’est-ce que cela signifie pour Gaza ?
Cela
signifie une aide humanitaire limitée, une reprise partielle de la vie
et des améliorations des services, en échange d’une paralysie politique
totale : pas d’État, pas de souveraineté et pas de vision nationale.
Gaza passe d’une guerre ouverte à une trêve fragile, constamment menacée
d’effondrement, sous la menace permanente d’une nouvelle agression.
Gaza
a besoin de bien plus que de ciment et d’acier. Elle a besoin d’une
vision politique claire et de garanties concrètes que le sang de ses
martyrs ne soit pas instrumentalisé dans les négociations de sécurité.
Cette seconde phase sera-t-elle un chemin vers la reconstruction et une paix juste ?
Ou un nouveau mécanisme de gestion de la crise et de remodelage de Gaza par la force, après l’échec de la soumission militaire ?
Union palestinienne d’Amérique latine – UPAL
16 janvier 2026

