17/03/2026

O ataque ao Irão provoca dissensão nas Forças Aramadas dos EUA. O que virá a seguir?



John Catalinottoworkers world, 13/3/2026
Traduzido por Mudar de vida

A batalha que começou com o ataque não provocado da máquina de guerra EUA-Israel contra o Irão, em 28 de fevereiro, expandiu-se nos seus primeiros 11 dias para uma conflagração regional e está a avançar a uma velocidade sem controlo rumo a uma guerra mundial.

A organização Veteranos pela Paz oferece assistência a soldados dissidentes

Activistas pacifistas e anti-imperialistas nos Estados Unidos — nas entranhas do monstro — têm o dever especial de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para deter esta guerra. E há uma área em que eles estão na melhor posição para agir: entrar em contacto com membros das forças armadas usamericanas.

O primeiro ponto a deixar claro ao planear essa luta é que a classe dominante super-rica dos Estados Unidos e os regimes reaccionários racistas que comandam os estados opressores, tanto os EUA como Israel, são os criminosos responsáveis ​​pelas consequências terríveis da guerra. O movimento pacifista deve expor esses crimes e procurar desmantelar a máquina de guerra desses criminosos.

Apoio popular mínimo à guerra nos EUA

Comparada com as últimas seis longas guerras de agressão dos EUA – Coreia, Vietname, Iraque (1991), Jugoslávia, Afeganistão e Iraque (2003) – esta potencial “guerra sem fim” contra o Irão é a que enfrenta maior oposição interna. A guerra contra o Irão começou com bombas e foguetes americanos que mataram mais de 150 estudantes na cidade de Minab, e com o assassinato, por Israel, do líder político e religioso supremo do Irão, o aiatolá Ali Hosseini Khamenei, em 28 de fevereiro.

Antes de desencadear a conflagração, o regime MAGA não fez nenhum esforço para obter apoio para a agressão, nem entre o povo, nem no Congresso, nem buscando aliados internacionais além dos criminosos genocidas que administram o estado colonialista israelita. O regime contava com as grandes mentiras de décadas que demonizavam o Irão.

Desde o massacre inicial em Minab, que lembra o incêndio da aldeia de My Lai no Vietname em 1968, cada bajulador do governo MAGA e o impopular presidente dos EUA têm dado explicações contraditórias sobre como a guerra começou, quanto tempo durará, se haverá envio de tropas terrestres e qual o objectivo. As suas mentiras contraditórias só fizeram diminuir a sua credibilidade.

Mesmo antes de serem relatadas extensas baixas entre as tropas usamericanas, mesmo antes de o custo militar diário de mil milhões de dólares desta “guerra de opção” EUA-Israel se tornar evidente (csis.org), mesmo antes de a guerra desencadear um desastre económico mundial, a maioria da população dos EUA opõe-se à “guerra sem fim” que o governo desencadeou.

Uma população que rejeita a guerra pode ser mobilizada para lutar contra ela, assim como o povo de Minneapolis rejeitou os maus-tratos brutais e os assassinatos de migrantes, e os aliados dos migrantes rejeitaram a presença dos agentes do ICE.

Se os civis se opõem à guerra, isso significa que as tropas podem recusar-se a obedecer a ordens ilegais. Reservistas e soldados no activo são trabalhadores fardados. Eles reflectem as atitudes dos seus pares civis – mas com as vidas e integridade física em risco.

Os soldados dos EUA oporão resistência à guerra?

Durante a invasão usamericana do Vietname, a resistência das tropas em travar combate contribuiu para a decisão de 1969 de retirar gradualmente o contingente usamericano do Vietname e de passar a depender de bombardeamentos. Também levou ao fim do recrutamento militar obrigatório no início de 1973 e à decisão do Pentágono de criar, nas décadas seguintes, um exército altamente tecnológico e sem recrutamento obrigatório.

Mesmo dentro dos militares não recrutados [voluntários], alguns recusaram-se a lutar no Iraque e no Afeganistão, embora em menor número do que no período do Vietname. Após muitos custos, mortes e destruição, as tropas usamericanas foram forçadas a retirar-se das “guerras intermináveis”.

Um livro de 2017 sobre a resistência dos soldados (Turn the Guns Around: Mutinies, Soldier Revolts and Revolutions [Virando as Armas: Motins, Revoltas de Soldados e Revoluções)  discute como os EUA não conseguem mobilizar um exército de terra grande o suficiente para conquistar o Sul Global sem gerar oposição interna e resistência entre as tropas. O livro dá exemplos de guerras de agressão dos EUA que podem levar à rebelião dos soldados: uma que os EUA iniciem contra “a Rússia, a China ou mesmo o Irã ou a [República Popular Democrática da Coreia]”, ou se “o presidente ordenar que as tropas federais reprimam greves de trabalhadores ou rebeliões em comunidades de minorias étnicas dentro dos EUA”.

E esse é exactamente o cenário actual, de Teerão a Minneapolis.

Se o regime MAGA ordenar a entrada de tropas terrestres usamericanas no Irão, não há dúvidas de que os 93 milhões de iranianos defenderão a sua civilização de 5.000 anos, uma resistência histórica que os governantes dos EUA subestimam. Na intervenção militar em cidades usamericanas, os cidadãos de Los Angeles, Chicago, Minneapolis e outras cidades mostraram como a solidariedade da classe trabalhadora pode surpreender os senhores da guerra de Washington.

É difícil imaginar a fúria popular caso o regime MAGA tentasse reinstaurar o serviço militar obrigatório, o odiado recrutamento. Jovens na Alemanha estão actualmente a protestar contra planos semelhantes do imperialismo alemão.

Greve escolar na Alemanha contra o serviço militar obrigatório, 5 de março de 2026. “A juventude reage” e “Os ricos querem a guerra, a juventude quer um futuro” em cartazes feitos à mão.

Já existem indícios de que o Pentágono registrou baixas muito além dos sete soldados usamericanos oficialmente reconhecidos como mortos em combate. O facto de o principal hospital militar dos EUA em Landstuhl, na Alemanha, já ter cancelado os serviços de assistência ao parto (Military Times5 de março) demonstra que o Pentágono prevê um número muito maior de baixas usamericanas.

Organizações de veteranos pacifistas, como a Veteranos pela Paz e outras, entraram em contacto com militares no activo, oferecendo apoio a objectores de consciência. Um líder do Centro sobre Consciência e Guerra afirmou que os seus telefones não param de tocar desde o início da guerra EUA-Israel contra o Irão.

Um anúncio feito há alguns meses por seis congressistas democratas, afirmando que as tropas têm o dever de desobedecer a ordens ilegais, já se espalhou entre os soldados. Quaisquer que sejam os motivos desses representantes eleitos, todos veteranos das forças armadas ou da CIA, ninguém pode reverter essa situação.

Os belicistas do MAGA podem descobrir que a sua agressão contra o Irão apenas acelerou o declínio do imperialismo usamericano.

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